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Começar de novo

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Lucas caminha sem rumo pelo centro de São Joanico, a pequena cidade que o viu nascer, crescer, ficar rico, e agora assiste impassível ao seu fracasso. Parece um zumbi: rosto pálido, olhar vazio, barba por fazer, camisa e calça rasgadas, sapatos enlameados de tanto andar pelos arredores e ermos buscando força e coragem para se matar… Muitas pessoas o olham na rua com espanto – ele, que há pouco tempo era visto com frequência em festas badaladas da alta sociedade, que ganhava prêmios de melhor empresário do ano, de homem mais elegante, mais promissor, mais isso e aquilo, e que era tão bonito e poderoso, agora nesse estado deplorável, sujo, arruinado, sem ninguém para lhe estender a mão… Todos os seus amigos sumiram, sua família o abandonou, os colunistas sociais, antes tão bajuladores, agora fingem que não o conhecem. “Perdi tudo”, diz para si enquanto segue por ruas e avenidas, sentindo como punhaladas no peito os olhares de escárnio e desprezo que recebe das pessoas que cruzam com ele, apressadas, preocupadas, rumo aos seus próprios abismos.

Caminha agora pela praça da igreja, onde, na infância, seu avô lhe contava histórias. Aquilo era felicidade. Tudo tão simples e verdadeiro. Até começarem as cobranças, a ladainha incessante de ditames e regras… A louca corrida do ouro…

Senta-se num banco, à sombra de uma enorme castanheira, e observa um pernilongo que se aproxima lentamente num voo suave sobre sua mão esquerda, à procura de sangue. Num piscar de olhos, o inseto pousa na mão de Lucas; noutro, pica. E começa a sugar. Lucas o observa; vê seu minúsculo corpo crescendo lentamente, enchendo-se de vida e força, até adquirir a forma de um balãozinho vermelho prestes a estourar. Satisfeito, o inseto interrompe a sucção e começa a retirar sua agulha da pele de Lucas, as asinhas já prontas para o voo.

Lucas se vê no mosquito. É ele que está ali, feliz: o jovem que venceu, conquistou o que queria e agora está pleno, pesado, gordo, poderoso… E quando retira sua agulha e aciona o motorzinho das asas para voar seu voo da vitória, PÁ! – é a outra mão de Lucas sobre ele, pondo fim à sua curta existência, transformando-o numa reles mancha de sangue.

De repente, uma luz…

“Não estou acabado”, diz Lucas quase em silêncio, enquanto esfrega a mancha de sangue no braço, fazendo-a desaparecer completamente na pele. É início de maio. O frio começa a dar o ar da sua graça. “Não estou acabado”, repete, agora de pé, sentindo-se acolhido pelos galhos da enorme castanheira, consciente do seu ser, da sua história, da beleza de estar vivo e respirando o ar puro da tarde, desprovido de tudo que minutos antes para ele era tudo, mas que agora vai perdendo aos poucos sua importância, seu crucial encanto, seu feitiço… “Viver não é tão complicado”, diz sorrindo, feliz pela descoberta, por finalmente saber o que lhe basta… “Começar de novo… sim…”.

Flávio Marcus da Silva

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