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Manejo da lavoura é fundamental para alcançar bons resultados na produção de grãos

Paulo Kurtz/Embrapa

O aumento da produtividade de grãos baseado somente em insumos deixou de ser realidade na maioria das lavouras brasileiras, onde o melhor desempenho das cultivares está condicionado ao manejo eficiente dos recursos do ambiente.

A produção agrícola esgotou a fase de aumentar a produtividade através de insumos, via componentes químicos que representam apenas 5% da estrutura da planta. O melhoramento genético evoluiu muito ao longo dos anos e incorporou características que aumentaram o potencial das cultivares, mas o ganho – em rendimento e retorno econômico – depende, fundamentalmente, do manejo das culturas. Mesmo nas melhores cultivares é preciso manejar os componentes orgânicos da planta, interferindo em recursos como luz, solo, temperatura, água ou nutrição. Este foi o principal recado do quarto módulo da capacitação Embrapa e Sistema OCB, realizado na Embrapa Trigo (Passo Fundo, RS), nos dias 21, 22 e 23 de agosto.

O manejo começa no planejamento da lavoura. Para o melhor retorno na produção de grãos, é fundamental avaliar fatores como escolha da cultivar (qualidade x liquidez, resistências, investimento), o escalonamento de semeadura (datas diferentes dentro da época indicada pela pesquisa); adubação equilibrada e adequada ao potencial de rendimento desejado; espaçamento e população de plantas adequados para a cultivar e região; rotação de culturas; sistema plantio direto; manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas.

Vale lembrar que existem fatores “promotores do rendimento” (como época, cultivar, adubação, rotação) que devem ser privilegiados, e outros “protetores do rendimento” (como controle de doenças, pragas, plantas daninhas) que também merecem atenção especial.

Dicas gerais na produção de grãos:
A escolha da cultivar acaba determinando vários fatores, como o potencial produtivo, as exigências nutricionais e o manejo (“pacote”) fitossanitário, entre outros;

O uso de quantidade de sementes acima da indicada não tem garantido aumento no rendimento de grãos. Pelo contrário, as boas condições gerais de muitas lavouras e o avanço na genética permitiria, até mesmo, uma pequena redução na quantidade de sementes que é atualmente utilizada por hectare;

Na nutrição de plantas, a adubação, muitas vezes excessiva, realizada por vários anos, tem feito com que muitas áreas de lavoura estejam com valores de nutrientes (N, P e K, especialmente) capazes de garantir safras com potencial de rendimento elevado, mesmo sem o uso de adubação (a chamada “poupança do solo”), que possibilitaria a redução/eliminação da adubação por, pelo menos, uma safra;

O uso de micronutrientes, hormônios e enraizadores, que apresentam, muitas vezes, efeitos duvidosos e oneram o custo de produção da lavoura, devem ser usados em situações muito especiais;

O uso de redutor de crescimento, apesar de necessário em algumas situações, deve ocorrer somente quando for imprescindível;

A prática de “calendarização” no uso de fungicidas e inseticidas (com aplicações preventivas e com data marcada) precisa ser revista. O ideal é realizar o monitoramento no enfoque do Manejo Integrado de Pragas e Doenças, com intervenções somente quando e onde realmente sejam necessárias. Com informações da Embrapa

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