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Meirelles e ministros de 13 países discutem crise na Venezuela

Miguel Gutierrez/EPA/Agência Lusa/direitos reservados

Os ministros da Fazenda do Brasil, Henrique Meirelles, e de outros treze países se reuniram nesta segunda-feira (19) em Buenos Aires. O assunto foi a dívida externa da Venezuela e a criação de um fundo multilateral para atender aos milhares de venezuelanos, que estão cruzando a fronteira para fugir da grave crise econômica, politica e humanitária no país. Segundo Meirelles, a proposta será levada à reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI) em abril.

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“O dinheiro [do fundo] seria para assistência, acomodação e direcionamento desses refugiados fora da Venezuela”, disse Meirelles, em entrevista após o encontro. Ele lembrou que já existem 300 mil venezuelanos na Colômbia e 40 mil no estado brasileiro de Roraima, entrando pela região da mata da Amazônia.

O encontro para tratar da Venezuela foi paralelo às reuniões de ministros da Fazenda e presidentes dos bancos Centrais do G20 – grupo das vinte maiores economias do mundo –, que representa 85% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial e que este ano é presidido pela Argentina. Além do Brasil, participaram do encontro representantes da Alemanha, do Canadá, Chile, da Colômbia, Espanha, dos EUA, da França, do Japão, da Itália, do México, Peru, Paraguai e Reino Unido.

Além da proposta de criação de um fundo, foi discutida também a dívida que a Venezuela tem com alguns países – entre eles o Brasil. “O governo brasileiro optou por cobrar o pagamento da dívida, de US$ 1,3 bilhão, e os venezuelanos já pagaram o que venceu”, explicou. Outros credores, no entanto, que apoiam o regime do presidente venezuelano Nicolás Maduro – como Rússia e China – ofereceram uma moratória por alguns anos. “Nós não temos uma politica de financiar e apoiar [o governo de Maduro]”, disse.

Aço e alumínio
Outro tema, que não fazia parte da agenda original do G20, mas acabou dominando as discussões, foi a ameaça de guerra comercial, desencadeada pela decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aumentar as tarifas de importação aço e alumínio. A medida afeta diretamente o Brasil: um terço das exportações de aço brasileiro vai para os Estados Unidos e o setor emprega 200 mil pessoas.

Meirelles disse que a decisão de Trump terá um efeito negativo não apenas para os exportadores, mas também para o consumidor norte-americano, que pagará mais caro pelos produtos. Ele alertou para o risco de uma guerra comercial: a União Europeia já fez uma lista de cem produtos norte-americanos que podem ser afetados, caso haja retaliação.

As novas tarifas devem entrar em vigor na sexta-feira (23) e, até o momento, somente o México e o Canada, foram isentos. Meirelles disse que o Brasil ainda não tomou uma decisão sobre o que vai fazer a respeito. De acordo com o ministro, “[Os Estados Unidos] indicaram desejo para negociar e agora estamos aguardando os termos dessa negociação e os pontos”. Ao mesmo tempo, o governo brasileiro estuda acionar a Organização Mundial do Comercio (OMC), o órgão que regula o comércio internacional.

Eleições
Ao ser perguntado sobre as eleições presidenciais brasileiras, Meirelles disse que vai decidir até o dia 7 de abril se vai se apresentar como candidato. Ele disse que está aguardando o resultado de algumas pesquisas qualitativas sobre o que espera o eleitor brasileiro. Com Agência Brasil

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