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Jungmann diz que Projeto Rondon “olha e sonha um Brasil para todos”

Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, e o vice-governador de Rondônia, Daniel Pereira, participaram na quinta (6), em Porto Velho (RO), da cerimônia que comemora os 50 anos do Projeto Rondon. Na solenidade, o memorial de homenagem a Cândido Rondon, marechal que emprestou o nome à iniciativa, ganhou uma placa para lembrar a data. O museu é abrigado pelo espaço do Centro Cultural Indígena.

“Um país não se faz pela metade. Um país se faz para todos e esse é um projeto que olha e que sonha um Brasil para todos”, disse Jungmann.

“A necessidade que nós temos de aproximar nossos estudantes universitários do Brasil profundo, um Brasil vulnerável, pobre, um Brasil que precisa de apoio. Essa juventude que aqui se encontra, ela tem energia, ela tem paixão e ela já tem conhecimento suficiente para fazer essa ponte. Essa ponte entre esse Brasil que precisa de uma chance, que precisa de uma mão amiga para caminhar com mais firmeza e se desenvolver e, ao mesmo tempo, traz a essa juventude universitária as dimensões para além das grandes cidades”, complementou.

O evento também oficializou o início da Operação Rondônia Cinquentenário, que será desenvolvida de amanhã (07) até o dia 23, em 15 municípios do estado. Neste domingo (9), os voluntários das 30 instituições vinculadas devem viajar para os locais de destino.

Um dos professores à frente da operação comemorativa, Guilhardes de Jesus Júnior, se identifica com o entusiasmo e o fascínio mencionados pelo ministro. “Quando eu era adolescente, via propagandas que falavam do projeto. Durante meu curso de graduação, o projeto havia sido extinto, mas, quando virei professor, veio a vontade de participar. Apaixonado pelo projeto, quando soube que era a comemoração de 50 anos, enlouqueci. Para mim e para minha equipe, está sendo extraordinário.”

A animação do professor é comprovada pela experiência em oito edições do Projeto Rondon de que participou, desde 2008, em regiões no Pará, na Paraíba, Bahia, no Tocantins e Maranhão, experiência que divide com os alunos e os inspira a aproveitar o aprendizado dos estágios nas comunidades.

Possíveis evoluções
Para o docente, a comunicação do Rondon é um aspecto que poderia ser aprimorado. Ele se refere tanto à divulgação nas prefeituras como a direcionada às instituições. Para ele, é fundamental que a oferta e as instruções cheguem às prefeituras, já que a população local é a maior beneficiada pelas vantagens geradas.

A prefeitura, que deve dar algumas contrapartidas, fica encarregada, por exemplo, de designar uma pessoa que ficará responsável por mediar o diálogo entre ela, a instituição e a coordenação-geral do Projeto Rondon, e também alojar e alimentar os voluntários, chamados de rondonistas, além de fornecer transporte para a realização das atividades.

No processo de seleção dos municípios beneficiados, a preferência é para aqueles com maiores índices de pobreza e exclusão social e também áreas isoladas do território brasileiro. Os municípios escolhidos recebem um integrante da equipe universitária para que ele apresente o funcionamento e observe se as ações estão alinhadas com o diagnóstico das deficiências.

Cerca de dois meses antes da execução das ações, os professores coordenadores visitam o município, permanecendo de três a quatro dias, para acertar o cronograma. Na visita, a prefeitura e as lideranças locais são comunicadas sobre o trabalho. Com essa dinâmica, é muito relevante a comunicação que ocorre pela circulação de dados de análise de fragilidades da população assistida, segundo ele.

Sobre a inclinação para a solidariedade, mais evidente nos alunos devotados a causas como essa, o professor finaliza dizendo que todos podem ser sensibilizados. Porém, ele enfatiza o valor de “alunos com perfil de especialista”. Eles teriam desembaraço para lidar com adversidades. “As instituições mudaram suas características. Há um estímulo muito grande para que o aluno participe de atividades de extensão [práticas acadêmicas que levam o ensino e a pesquisa até as comunidades]. Para quem é apaixonado por elas, nunca é suficiente”, finalizou.

Hoje, Jesus Júnior conduz, na Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), o Núcleo Rondon, que une esforços de quatro professores, uma estagiária e uma média de 20 voluntários, que oscila ao longo do ano. Do sul da Bahia, o grupo pretende atender a 80 municípios. Núcleos espelhados no Rondon são mantidos também em outras instituições, como a Universidade de Brasília (UnB), cuja página na internet pode ser acessada pelo hiperlink www.rondon.unb.br.

Congresso
De 25 a 27 de outubro, a UnB sediará o 3º Congresso Nacional do Projeto Rondon. Informações podem ser conferidas no link para o evento, criado no Facebook. Com Agência Brasil

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