Educar significa impor limites

implimDar carinho é a melhor forma de receber o ser humano no mundo; contudo, todos nós nascemos “bichinhos”, somente com impulsos e instintos. A socialização é o preparo da criança para o mundo, para que ela se perceba e perceba os outros.

É fundamental que os pais acreditem que dar limites é uma prova de amor. Ninguém pode respeitar o semelhante se não conhece limites.

Há algumas décadas, crianças e adolescentes não tinham direitos, apenas obedeciam, caso contrário o castigo era inevitável incluindo surras.

Hoje, alguns jogam de “brincadeira” álcool no mendigo, tornando-o uma fogueira humana, estupram uma colega, dirigem automóveis, usam drogas (até mesmo dentro da escola) e envolvem em conflitos violentos. E os pais, onde estão?Nos dias atuais percebemos que os pais sentem grande dificuldade em estabelecer limites que sejam razoáveis, sem atentar contra a liberdade e direitos dos filhos. Quantas dúvidas! Quantas ações impensadas!

Certificamos que não é só a criança e o jovem que estão perdidos. Os pais também se encontram perdidos sem saber o que fazer. Percebemos que muitos pais perderam a noção de certo e errado, de cidadania, de ética, de moral, de disciplina, de conceito de família, de civismo, de hierarquia, de justiça e até mesmo de religiosidade.O que ocorre é que os pais têm esquecido que se educa muito mais pelos exemplos do que com conselhos.

Na prática clínica, percebemos o desespero dos pais frente aos limites. No desespero, na busca por ajuda, até mesmo para não perderem seus filhos, acionam de forma impensada um terceiro para ajudá-los, geralmente apelam para o Conselho tutelar e tantos outros órgãos, como a Polícia, CREAS, etc.

A perda da autoridade é a consequência de se inserir um terceiro (estranho) na relação, na educação do filho. Ao tomarem este tipo de atitude os pais sequer percebem que estão eles próprios se destituindo de qualquer autoridade frente ao filho e depositando consequentemente em outro (este outro pode ser tanto uma instituição como uma pessoa, parente).

O caso complica quando os pais demonstram não ter sintonia entre si e duvidam de si mesmos, de suas capacidades para se fazer respeitar.

Confiar em si mesmo, questionar-se, rever os valores e consequentemente dar bons exemplos é a melhor forma de impor os limites necessários para a boa educação dos filhos.

Lembremos que o excesso de autoridade (autoritarismo) gera violência, e a falta de limites também. O equilíbrio está no meio termo.

Portanto, educar significa também impor limites. Seguindo essa premissa é importante:
- mostrar o que é certo e o que é errado no convívio social;
- ter ciência de que os filhos repetem o comportamento dos pais;
- dialogar com os filhos, explicando o que deve ou não deve ser feito;
- agir conforme os direitos universais da criança e do adolescente;
- corrigir e, se necessário, punir o filho (nesse caso, faça-o sem violência, porém, sempre esclarecendo o motivo e as alternativas da mudança de conduta);
- respeitar o espaço e o direito dos filhos;
- colaborar para construir um mundo mais justo;
- demonstrar carinho e respeito para com os filhos.

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