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Asilo e hospital recebem mais de 300 peças de tricô e crochê feitas por presidiárias

Divulgação/Seap

Dedos calejados e com muitas histórias que, com linhas e agulhas têm levado calor e um agrado neste inverno para instituições de caridade da Zona da Mata. São toucas, meias, colchas e tapetes de crochê e tricô, tecidos por oito presas do Presídio de Eugenópolis.

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As peças de carinho e conforto estão sendo doadas para os idosos do Asilo Rosa Mística, alunos da Associação de Pais e Amigos Excepcionais (Apae) da cidade e para pacientes do Hospital do Câncer de Muriaé. Na próxima semana, 80 toucas serão entregues na unidade hospitalar. Até o momento mais de 300 artigos do tipo foram doados.

Tudo começou há seis meses, quando uma agente de segurança penitenciária da unidade, diagnosticada com câncer de mama, pediu a um a colega de trabalho que lhe fizesse uma touca pois, devido ao tratamento da doença, havia perdido o cabelo e sentia frio na cabeça.

A ex-agente Renata Maria Coelho comentou com outra colega de trabalho, Raquel Silva Carneiro e, juntas tiveram a ideia de ensinar o trabalho manual às presas e doar a produção.

As duas sabiam tricô e crochê e passaram seus ensinamentos para as detentas, que foram repassando as lições para as companheiras de cela. Raquel conta que aprendeu o ofício com uma vizinha quando tinha 11 anos e que compartilhar e ver a empolgação das presas é algo realmente cativante.

Divulgação/Seap

“Desde o princípio as presas tiveram interesse e aprenderam rápido. E uma delas comentou: ‘Vai ser muito bom saber que uma touquinha que eu fiz vai ajudar uma pessoa com câncer a se sentir melhor’. É muito bonito ver como elas querem ajudar. Outra coisa que ficou perceptível foi a mudança de comportamento das detentas, uma delas ficou muito diferente e mais tranquila depois que começou a trabalhar. Procuro sempre ajudá-las e trago revistas e
outros modelos para servir de inspiração. Elas sempre estão empolgadas com as coisas novas” afirma Raquel.

A produção depende de doações que vem de todos os cantos: dos funcionários, da igreja, de empresários. A história cresceu e a cidade abraçou a causa e quer colaborar. A iniciativa, inclusive, mudou o olhar da população do pequeno município sobre o presídio.

No início, lá em 2015, quando a unidade foi assumida pela Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap), a resistência da sociedade de Eugenópolis era muito grande com a instalação da unidade prisional.

De acordo com o diretor-geral, Francisco Alves, a comunidade do entorno não queria a instalação da unidade prisional. “Tivemos muita rejeição no início, mas ganhamos o nosso espaço. Hoje a visão é diferente. As pessoas trazem coisas para nos ajudar e apoiam as atividades do presídio. As doações foram uma das formas de nos aproximarmos da sociedade e dar retorno para as pessoas”.

Jéssica Freitas de Souza, 23 anos, é uma das presas que faz parte do projeto. Ela conta toda animada sobre o trabalho e a felicidade da família em saber da sua participação. “Eu não sabia nem pregar botão, aprendi tudo com as agentes. Minha mãe ficou muito orgulhosa quando contei para ela. É uma enorme satisfação a sensação de que eu posso ser útil e ajudar com um gesto outras pessoas que precisam. Eu também vejo nisso uma oportunidade, um novo horizonte para mim, é algo que com certeza eu posso investir quando sair daqui”, contou orgulhosa.

Horta
Nem só de agulha e linha é o trabalho no Presídio de Eugenópolis. Outras 15 presas botam a mão na terra de segunda a sábado, de 8h às 17h, na horta instalada na unidade prisional. O grande terreno tem um tamanho equivalente a três campos de futebol, num total de 3.800 m2. A produção ultrapassa 600 kg por mês, com uma grande variedade de legumes e verduras, todos orgânicos.

São quilos de alface, couve, cebolinha, salsinha, mandioca, almeirão, agrião, beterraba, cenoura, jiló, quiabo, milho, entre outros, doados todos os meses para instituições da cidade. Três instituições são agraciadas: o Asilo Rosa Mística, a Apae de Eugenópolis e o Hospital Municipal.

A horta existe desde agosto de 2015, logo quando a unidade foi assumida e vai de encontro ao principal objetivo do diretor-geral: “tento aproveitar o máximo possível do nosso espaço com atividades laborais”, afirma Francisco.

Há três meses Vilma Helena Dutra está trabalhando no espaço. Criada na zona rural da região, trouxe um pouco do que aprendeu com a família para sua atividade diária. Segundo ela, cuidar das verduras e legumes é uma ótima distração. “É muito melhor trabalhar. Quando fui presa não imaginava que podia fazer isso. Fico bastante feliz, alegre e orgulhosa de mim mesma em poder ajudar”.

Para o diretor-geral, o trabalho é um grande aliado para o processo de ressocialização. “São valores imensuráveis, visto os resultados alcançados desde a inauguração do presídio. Além da valorização do ser humano privado de liberdade em sua autoestima, ganhamos também em valores profissionais e sociais, quando podemos ver a sociedade recebendo o fruto do trabalho das reclusas. E nada disso seria realidade sem as parcerias e a força de vontade de cada uma delas”, comemora.

A unidade ainda conta com uma oficina de costura, onde cinco presas produzem trapos – pedaços de pano feitos de retalhos, usado em limpezas gerais. Em Eugenópolis há muitas confecções de roupa que doam resto de materiais para a produção. Os produtos são doados para postos de gasolina, oficinas mecânicas, dentre outros. Com Agência Minas

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