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O gato da vizinha

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Ramon tinha uma vizinha que era simplesmente apaixonada por gatos. Era viúva, não tinha filhos e passava a maior parte do tempo em casa. Com ela viviam seis bichanos, todos de raça, com pedigree e tudo. O problema era que um deles, um angorá branco de olhos verdes, visitava o quintal de Ramon toda noite para defecar na sua grama. A vizinha morava três casas acima, mas o gato gostava era do quintal de Ramon.

Ramon chegou a procurar a velha senhora, que, indignada, negou que seu bichano fosse culpado de tal porcaria. “Gabo é educado, meu senhor, não faz essas coisas fora de casa não”, disse a mulher, fechando a porta na cara de Ramon. Ele sabia que era Gabo, pois numa dessas noites seguira-o até a casa da viúva. Conclusão: com diplomacia, nada.

Ramon então comprou uma espingarda profissional, registrou-a na Polícia, fez curso de tiro e se preparou para dar um jeito naquele gato. Na noite escolhida para a missão, ajustou um silenciador no cano da arma e se posicionou na cozinha, próximo à janela que dava para o quintal. Já estava com jornais velhos e um saco de lixo em mãos para embrulhar o cadáver do gato. De manhã o jogaria no ribeirão. Ninguém ia desconfiar.

Duas da madrugada. Gabo pulou o muro e lentamente se dirigiu à grama, onde procurou seu lugarzinho preferido para defecar. Quando o bichano levantou o rabo, arqueou o corpo e começou a fazer força, Ramon disparou um tiro que o acertou bem no pescoço. Gabo pulou para trás, assustado, e o sangue começou a esguichar. “Deve ter pegado de raspão”, pensou Ramon, “senão ele já teria morrido”.

De raspão ou não, o fato é que Gabo enlouqueceu. Corria para todo lado, esguichando sangue no muro, no chão da área de serviço, nas paredes, na porta da cozinha e no corredor que dava para a saída. Pelo muro chegou à garagem e subiu no Uno branco de Ramon, sujando-o todo de sangue, e também as paredes, o chão, as plantas do jardim, o portão, tudo. Saiu para a rua e cambaleou até a casa da viúva, deixando um rasto enorme de sangue pelo caminho.

“Que diabo de gato é esse para ter tanto sangue?”, pensou Ramon, olhando a sujeira que Gabo tinha feito em sua casa. Sua mulher acordou assustada com a confusão, foi correndo à garagem e perguntou: “Você matou alguém?”. “Não”, respondeu Ramon, “Foi o gato da vizinha, mas ele não morreu”. “NÃO MORREU?”, espantou-se a mulher, sem acreditar que um gato pudesse esguichar tanto sangue daquele jeito e não morrer.

Ramon coçou a cabeça e ficou olhando a garagem, que mais parecia um matadouro. Foi quando ouviu os gritos desesperados da viúva, de início pouco audíveis, por causa da distância, mas se aproximando, cada vez mais altos, descendo a rua. A velha seguiu o rasto de sangue e chegou aonde tinha que chegar. Quando ela viu o carro ensanguentado e a garagem naquele estado, gritou enlouquecida, com os olhos fixos em Ramon: “Assassino! Assassino!”. Em seus braços jazia o cadáver de Gabo, que ela colocou no chão lentamente, em prantos.

A vizinhança toda apareceu e testemunhou a cena: Ramon parado com a espingarda na mão, a velha senhora chorando ajoelhada ao lado do seu gato morto, a mulher de Ramon descabelada, enrolada num cobertor, e sangue, muito sangue. Entre os vizinhos presentes havia uma veterinária e dois membros da Sociedade Protetora dos Animais, que acharam aquilo um absurdo; mas todos os olhares eram de reprovação, alguns indignados, e aos poucos foram se concentrando numa única pessoa: Ramon: o monstro, o pérfido, o terrível.

Pobre Ramon. Se ele já não era muito querido na vizinhança, depois dessa, então…

Flávio Marcus da Silva

Imagem: “O gato”, de Ivan Nenov (1902-1997)

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