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Indústrias nucleares planejam chegar a 2026 sem depender de recursos do Tesouro

Eletrobras/Divulgação

O planejamento estratégico da Indústrias Nucleares do Brasil (INB) para os próximos dez anos, desenvolvido em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), prevê que a estatal terá autonomia financeira em 2026, quando não mais dependerá de recursos do Tesouro Nacional para sua operacionalidade.

A informação foi dada pelo presidente da INB, Reinaldo Gonzaga, durante palestra no IX Seminário Internacional de Energia Nuclear, que teve início hoje (25).

Gonzaga informou que, atualmente, a INB opera com uma dependência financeira do governo federal em torno de 34% a 35% do seu orçamento anual, recursos necessários para o pagamento da folha salarial, obrigações sociais e encargos. O faturamento anual da estatal gira em torno de R$ 600 milhões a R$ 700 milhões.

O presidente da INB disse que o planejamento foi elaborado para equilibrar despesas e receitas. E para chegar a essa equação, defendeu a necessidade de se colocar em operação, o mais rapidamente possível, a Unidade de Concentração de Urânio de Caetité, na Bahia, que está sem produzir há cerca de cinco anos.

“Uma das premissas para se alcançar esse objetivo é exatamente parar de comprar urânio lá fora, e isso implica em ter que pôr a mina [de Caetité] novamente em operação, uma vez que ela está parada desde 2014. Quando a unidade estiver em operação, o que deverá acontecer até o final deste ano, nós deixaremos de comprar urânio fora do país e, consequentemente, obteremos um melhor equilíbrio financeiro, além de gerar um excedente que pode levar o país a vir a exportar urânio”, disse.

Gonzaga disse que a estatal trabalha no sentido de avançar com o programa desenvolvido com a Marinha do Brasil para enriquecimento de urânio. O programa, segundo ele, foi concebido para avançar em duas fases. “Nessa primeira fase, já em curso, nós estamos ainda na sexta etapa, mas até o final de agosto estaremos inaugurando a sétima etapa das 10 previstas”.

Atualmente o país compra no exterior todo o urânio consumido nas usinas de Angra I e II e também os componentes metálicos para a montagem do combustível, cujos custos são em euro. “Quando passarmos a nacionalizar estes componentes, a fazê-los aqui no Brasil, nós estaremos reduzindo ainda mais os custos de operação e isso também vai gerar maior equilíbrio financeiro”.

A INB também diminuirá custos com a redução da sua folha de pagamento. “Aprovamos um programa de desligamento voluntário. Hoje, a nossa folha de pagamento está na faixa de R$ 310 milhões, com a implantação do PDV, nós estaremos retirando cerca de R$ 100 milhões dessa folha”.

Mina de Caetité
Entre as muitas unidades da INB, a Unidade de Concentrado de Urânio de Caetité é destaque. Situada no município de Caetité (BA), inoperante desde 2014. Nela eram realizadas as duas primeiras etapas do ciclo do combustível nuclear: a mineração e o beneficiamento do minério, que resulta no produto chamado concentrado de urânio ou yellowcake.

A unidade ocupa uma área de 1.700 hectares, localizada em uma província mineral com reservas que chegam a 110 mil toneladas de urânio e onde estão identificados mais de 38 depósitos do minério.

Nos 16 anos em que esteve em operação, a INB Caetité produziu 3.750 toneladas de concentrado de urânio a partir da exploração a céu aberto de uma dessas jazidas – a mina Cachoeira.

A avaliação do executivo é de que, retomando gradativamente a atividade, a unidade deverá começar produzindo cerca de 70 toneladas de urânio, de uma capacidade de produção de 400 toneladas, “que deverá ser atingida já no ano que vem”. Com Agência Brasil

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