Banner Águas de Pará de Minas   Prefeitura de Pará de Minas

Embaixo do caminhão

embcm
A marmita
de plástico
branco
salpicada
de barro
tem num canto
farinha de mandioca
com borra
de carne frita,
no outro
arroz
empelotado,
e no meio
uma capa
gorda
de toucinho
de porco
sem sal.
No chão
de terra
molhada,
abrigando-se
da chuva
embaixo
do caminhão,
o cortador
de cana
rasga com
as mãos
o toucinho,
mistura os pedaços
com farinha
e arroz
e leva tudo
à boca
desdentada,
desesperada,
voraz.
Ao todo
são quatro
trabalhadores
jovens
comendo com
as mãos
no pequeno intervalo
concedido
pelo dono
do canavial,
dos caminhões
das foices e
usinas
do inferno.
Seu viver é isto:
agachados,
curvados,
humilhados,
misturando-se
às sombras
do caminhão
que não é deles,
pés cobertos de lama,
rachados,
sustentando
o peso
do que é assim
e pronto,
não tem jeito:
trabalhar
trabalhar
trabalhar
para não morrer de fome,
olhos brilhando
nas sombras,
embaixo do caminhão.
 

Flávio Marcus da Silva
Leia outros textos de Flávio Marcus da Silva na coluna Crônicas de um patafufo.
Acesse a página de Flávio Marcus da Silva

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*

shop giày nữthời trang f5Responsive WordPress Themenha cap 4 nong thongiay cao gotgiay nu 2015mau biet thu deptoc dephouse beautifulgiay the thao nugiay luoi nutạp chí phụ nữhardware resourcesshop giày lườithời trang nam hàn quốcgiày hàn quốcgiày nam 2015shop giày onlineáo sơ mi hàn quốcshop thời trang nam nữdiễn đàn người tiêu dùngdiễn đàn thời tranggiày thể thao nữ hcm