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Ramon e o falso risoto

Por Flávio Marcus da Silva

Sozinho em casa numa sexta-feira à noite. Se fosse numa época de vacas gordas, Ramon iria ao Kampai, prepararia uma bandeja enorme de sushis e sashimis, voltaria para casa, abriria um vinho branco francês (um Chardonnay 2011 supimpa) e jantaria assistindo Black Mirror no Netflix.

Mas as vacas hoje estão magras, algumas até já morreram à míngua no pasto seco, à sombra dos urubus…

Exagero. As coisas não estão tão ruins assim. Ramon está mais pobre, sim, mas muito mais feliz. Por isso decide preparar um prato delicioso usando sobras do almoço. Uma sexta-feira como esta merece algo especial. Quanto ao vinho, semana passada sua mãe lhe deu um Spätlese de primeira qualidade, que ele decide abrir hoje, esperando ganhar de presente, no final do ano, uma meia dúzia de boas garrafas, para repor o estoque (qualquer coisa acima de Gato Negro, Santa Helena e Miolo ele está aceitando).

Ramon abre a geladeira e tira tudo que pretende utilizar. Cebola, manteiga, requeijão de copo, manjericão, arroz, frango desfiado, queijo Minas padrão e uma salada de legumes cozidos, simples, mas gostosa, com chuchu, batata, vagem, couve-flor e cenoura. A receita vai surgindo durante o preparo. Ramon simplesmente não sabe o que está fazendo. Refoga uma cebola grande picadinha na manteiga e joga por cima queijo Minas em lascas bem finas, que ele mistura até obter um creme borbulhante. Diminui o fogo e rapidamente pica a salada de legumes em pedacinhos, que ele mistura no creme de queijo. Aumenta o fogo. Uma pitada de pimenta do reino. Umas cinco folhinhas de manjericão e depois uma colher grande de requeijão cremoso. Resultado: um creme de legumes, de cor indefinida, no qual Ramon mistura quatro colheres grandes de arroz e uma boa porção de frango desfiado. Deixa cozinhar.

Pronto. Serve o prato com um pouco de queijo parmesão e azeite de oliva extravirgem. Enfeita com folhas de manjericão. Abre o vinho e liga o Netflix.

Delicioso! Noite maravilhosa! Black Mirror é assustador, mas Ramon adora. Amanhã vai se encontrar com a mulher e os filhos na roça do avô. Não aguenta ficar longe deles por muito tempo, mas passar uma noite de sexta-feira sozinho em casa é bom demais! E com um jantar especial, fica ainda mais interessante. E melhor: quase de graça. O vinho é caro, mas como foi presente da mãe, não conta.

Ramon imagina uma foto do seu prato no Facebook com a mensagem: “Uma maravilha este Risotto alla piemontese”. As pessoas cairiam direitinho. “Imbecis”, diz, apontando para uma janela grande que dá para a rua.

Ramon sorri. Faz um cigarro de palha e fuma na janela olhando as estrelas. “Tudo bem”, diz Ramon para si, “o risoto é falso, mas o prazer é genuíno”.

Um comentário

  1. marcio guimaraes barbosa

    Cozinhar inventando, beber um bom vinho, ficar em casa sozinho, assistir um bom filme ou ler ler um bom livro. Pequenas coisas que, literalmente não tem preço. Ramon esta feliz, e isto é sempre bom.

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