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Ações comunitárias podem ser solução para problemas de saúde globais

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Ela cruza a avenida confiante e sem pressa, devagar, passo após passo, apoiada em sua bengala, única companhia que tem para ir e vir de casa ao posto de saúde, no centro de Curitiba. O motivo de tanta confiança na hora de atravessar a rua é o semáforo especial que dobra o tempo de travessia para idosos e pessoas com deficiência, em Curitiba. Para acioná-lo, em vez de apertar o botão, basta aproximar um cartão individual, o mesmo usado no transporte público.

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“Se eu aperto o botão, o sinal fecha em um instantinho, se eu passo o cartão nisso ali, não sei como chama, demora mais um pouquinho e, assim, consigo passar bem tranquila”, contou Delmina Sartori Roloff, de 86 anos, que precisa ir ao posto pelo menos uma vez na semana.

Desde 2015, a prefeitura de Curitiba instala equipamentos como esse nos cruzamentos próximos a unidades de saúde, hospitais, terminais de ônibus e igrejas – pontos definidos após consulta à população. Atualmente, são cerca de 30 semáforos especiais como parte de um programa para favorecer a mobilidade na cidade, que incluiu também a redução do limite de velocidade permitida nas vias.

O presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e responsável pelas políticas, Sérgio Pires, comemora os resultados já obtidos com as mudanças como a redução de 40% dos acidentes de trânsito. Ele diz que com menos atropelamentos, as pessoas vivem mais seguras e o município economiza gastos no sistema de saúde e social. “Quando uma pessoa se acidenta, outra se afasta do trabalho para cuidar, tem gasto com saúde, ambulância, recuperação, um prejuízo em efeito dominó”.

São as ações em níveis locais, geridas por prefeituras como a de Curitiba ou por grupos comunitários, que têm capacidade de gerar bem-estar à população, afirma Ronice Maria Pereira Franco. Diretora do Núcleo de Saúde Pública e Desenvolvimento Social da Universidade Federal de Pernambuco, ela coordenou hoje (25) o painel sobre meios de alcançar desenvolvimento global em larga escala, na 22ª Conferência Mundial de Promoção da Saúde, na capital paranaense.

“As mudanças têm que vir de baixo para cima. Precisam vir das localidades atuando em rede, para ganhar força, de preferência, mas, claro, com apoio de medidas em todos os níveis [de governos]”, defendeu a professora, pós-doutora em avaliação de políticas públicas em saúde. Segundo ela, há uma dificuldade de políticas públicas atenderem a pequenos grupos e seus diferenciais.

É a mesma opinião do médico nigeriano Aderemi Mabadeje, coordenador da Fundação Brown Button. A organização se tornou referência no treinamento de parteiras comunitárias e no apoio a gestantes em áreas rurais e favelas. Segundo ele, as ações que nascem e são geridas pelas comunidades, com compreensão da cultura local, têm mais chances de dar certo.

“Essas mobilizações permitem que organizações como a nossa criem soluções locais para problemas locais. E, geralmente, tais soluções são mais sustentáveis e duradouras que as externas, que não se encaixam bem no cenário, na cultura e nas práticas regionais”, afirma o médico.

Em um cenário global, onde os interesses de organizações privadas muitas vezes se sobrepõem aos interesses do cidadão, o professor Jaime Breilh, pró-reitor da Universidade Andina Simón Bolívar, no Equador, também aposta em pequenas iniciativas na hora de defender a saúde e a qualidade de vida dos cidadãos. Para ele, esta é a chave para o desenvolvimento humano e sustentável no planeta.

“Os governos locais tem mais proximidade com as suas comunidades, com a gente, com o povo, por isso, é fundamental para incentivar as comunidades a fazerem um contrapeso, digamos, aos processos centralizados”, concluiu o PHD encerrando o debate na conferência. Com Agência Brasil

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