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Diagnóstico por sequenciamento de DNA de nova geração é oferecido pela FUNED

Mateus Carvalho

A Fundação Ezequiel Dias (Funed) já conta com um novo equipamento de sequenciamento. A plataforma é composta pelo sequenciador Ion Torrent Personal Genome Machine e pelo sequenciador portátil MinIon, que colocam o Governo do Estado na vanguarda do diagnóstico de alta complexidade, vigilância em saúde e pesquisas.

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O equipamento está inserido no novo anexo ao Laboratório de Biologia Molecular, do Serviço de Virologia e Riquetsioses do Instituto Octávio Magalhães (IOM) da fundação. Segundo a Funed, é uma ferramenta que pode contribuir efetivamente para Vigilância Sanitária, Ambiental e Epidemiológica, e entre outras possibilidades, na pesquisa básica e aplicada.

Uma das aplicações da plataforma é a caracterização molecular dos agentes etiológicos circulantes. Isso significa, por exemplo, a possibilidade de realizar o estudo retrospectivo de epidemias, recnonstruindo a história evolutiva dos agentes causadores. O equipamento também permite identificar composições genéticas e mutações associadas à gravidade e à resistência a tratamentos específicos.

Para entender como funciona o sequenciamento genômico, o chefe do Serviço de Virologia e Riquetsioses, Glauco Pereira, cita como exemplo o vírus da dengue.

“Existem quatro sorotipos do vírus da dengue, que são antigenicamente relacionados e geneticamente distintos. Dentro de um mesmo sorotipo pode haver uma diferença no genoma, que pode alterar sua virulência, causando uma doença mais grave ou mais branda. Com essas informações junto aos dados da vigilância epidemiológica e estudos retrospectivos, é possível que os órgãos competentes possam tomar medidas necessárias para diminuir ou até mesmo evitar óbitos”, explica.

O responsável pelo Laboratório de Biologia Molecular, Felipe Iani, explica que a plataforma poderá ser utilizada pelos laboratórios de todas as diretorias da Funed que desenvolvem pesquisas e atuam com vigilância em saúde.

“Estamos desenvolvendo o modelo de utilização da plataforma pelos laboratórios e pesquisadores. Todos os reagentes e os equipamentos foram adquiridos pelo IOM e, em um segundo momento, os parceiros poderão ajudar com recursos para manter a plataforma funcionando. Os interessados em utilizar a plataforma devem entrar em contato com o Serviço de Virologia e Riquetsioses, que ficará responsável por processar as amostras”, observa Felipe, acrescentando que a infraestrutura irá facilitar a aprovação de projetos de pesquisa desenvolvidos pela fundação.

O chefe do Serviço de Virologia e Riquetsioses, Glauco Pereira, afirma que a plataforma começa a funcionar internamente na Fundação, mas que, futuramente, o “serviço será oferecido a outras instituições, ampliando a atuação da plataforma, deixando-a completa para executar qualquer tipo de sequenciamento”.

Diagnóstico
De acordo com Felipe Iani, na análise laboratorial, o diagnóstico é baseado no genoma dos vírus. Como os vírus são mutantes, se a área do genoma sofre alguma mutação no ponto de detecção, o diagnóstico para de funcionar.

“Isso aconteceu com o vírus influenza no ano passado. Tivemos vários diagnósticos inconclusivos, que só puderam ser detectados em um laboratório de referência nos Estados Unidos (CDC Atlanta). Com a nova plataforma, estes exames podem ser realizados na própria Funed”, conta.

Além do diagnóstico laboratorial, as vacinas também são desenvolvidas a partir de estudos do genoma e de proteínas. “Se ao realizar a vigilância epidemiológica for verificado algum vírus com muitas mutações em uma região na qual a vacina foi baseada, é um grande indicativo de que ela pode parar de funcionar e deve ser atualizada. Por meio do genoma ainda é possível analisar quando e por onde o vírus entrou, observando a semelhança genética”, destaca.

No caso do zika, lembra Iani, “percebeu-se que o vírus entrou no Brasil em 2013 e não em 2014, como se pensava. Com o sequenciamento, compara-se a similaridade dos vírus de outros estados e países e, então, é possível inferir por qual região os vírus estão entrando e para onde eles estão indo”, observa.

No caso da vigilância bacteriana, o sequenciador permite identificar, por exemplo, bactérias resistentes aos antibióticos. Segundo Felipe, essa plataforma é um ganho para Minas Gerais, “pois é uma tecnologia de ponta em pesquisas e diagnóstico de alta complexidade, o que há de mais novo no mercado, sendo de fundamental importância para todas as áreas da Funed”, enfatiza. Com Agência Minas

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