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Acordando para a vida

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Há pessoas que torcem o nariz para tudo. Nos outros estão sempre procurando o erro, o desvio, a inépcia, para dizerem “Você está errado, veja como é”, e saírem por cima. Eu era assim. Nas conversas, antes mesmo da pessoa abrir a boca eu já pensava: “Lá vem besteira”. Negava e afastava com desdém tudo que contrariava meu sistema de crenças, minha condição social, meus privilégios, minhas verdades. Com o tempo isso se tornou uma doença, fonte inesgotável de sofrimento, de angústia. Um mosquito zunindo, um galo cantando, um arrastar de pés no corredor, uma coceira no dedo, um verbo mal empregado, qualquer coisa me tirava do sério. Meu corpo todo tremia. Minha cabeça só faltava explodir.

Até que um dia, caminhando na rua, senti uma dor no peito, bambeei e caí. Apaguei. Acordei mais tarde numa ambulância, o corpo todo paralisado, a cabeça oca. Dois homens de branco mexiam comigo, puxavam fios, ligavam coisas, mas eu não sentia nada. Havia outro rapaz lá dentro, de óculos, sério, que se mantinha afastado, só olhando. Na parte de trás do veículo, acima da porta, li: SAMU. Eu estava numa ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. Lembro-me que pensei na hora: “Estou fodido”.

De repente o rapaz de óculos se aproximou e olhou nos meus olhos. Os outros dois foram para um canto e ali permaneceram quietos, de cabeça baixa. Pareciam cansados. Continuei deitado, paralisado, mas logo senti que poderia me levantar, se quisesse. O rapaz que me olhava então colocou suas mãos sobre meu peito, disse algumas palavras bem baixinho, que me soaram como música, e uma força vinda não sei de onde me impulsionou para cima. Levantei-me. Os outros nem ligaram, continuaram como estavam, cabisbaixos, tristes. O rapaz de óculos, no entanto, sorriu para mim, sereno, e disse: “É hora de partir”.

Vi meu corpo físico deitado na maca, o peito aberto, todo sujo de sangue. Na etiqueta, acima do cadáver, a hora da morte. Foi um choque para mim, mas a presença daquele espírito amigo, de olhar profundo e sorriso nos lábios, logo me acalmou. Assim que a ambulância parou, nós saímos.

Hoje posso dizer que vivo.

Quantos erros, meu Deus… Que vida curta e estúpida eu levei na matéria…

Estou agora lendo um livro maravilhoso, escrito por um espírito de grande sabedoria, que tem me ensinado muito sobre a vida: O jogo das contas de vidro, de Hermann Hesse. Que bálsamo! Se eu o tivesse descoberto antes, no corpo físico, talvez não tivesse sofrido tanto…

Mas foi preciso…

Hoje estou feliz e em paz.

Flávio Marcus da Silva

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