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Expedição estuda aves do extremo sudoeste do RS

Ornitólogos do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) acabam de divulgar os resultados da expedição de campo ao extremo sudoeste do Rio Grande do Sul, na região do Parque Estadual do Espinilho. A campanha teve como principal objetivo investigar a saúde de populações de aves do local, entre elas o cardeal-amarelo (Gubernatrix cristata).

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Os dados levantados pelos pesquisadores contribuirão para a implementação das estratégias do Plano de Ação Nacional para Conservação dos Passeriformes dos Campos Sulinos, o PAN Campos Sulinos, que prevê medidas para a preservação das espécies ameaçadas dos campos e do Espinilho, como o cardeal-amarelo, uma das aves mais ameaçadas do Brasil. O plano foi aprovado em 2011 e encontra-se em seu segundo ciclo de gestão.

As informaçõe servirão, ainda, para subsidiar as decisões e manejo do programa de cativeiro do cardeal-amarelo, que surgiu em 2014, a partir do PAN Campos Sulinos. O cardeal-amarelo (foto abaixo) é um pássaro de beleza e canto extraordinários, sendo que a pequena população de vida livre realmente conhecida e monitorada no Brasil está restrita ao parque do espinilho e fazendas particulares vizinhas. Saiba mais sobre a espécie AQUI.

Resultados
Durante a expedição, 102 espécies diferentes de aves foram registradas nas buscas ativas e deslocamentos durante as atividades de campo e 43 aves silvestres de 21 espécies diferentes foram marcadas com anilhas. Os registros de ocorrência serão inseridos no banco de dados do Sistema Nacional de Anilhamento (SNA), gerido pelo ICMBio/Cemave. Clique AQUI para saber mais sobre o SNA.

Além disso, dez cardeais-amarelos foram identificados em cinco territórios, havendo a captura de duas dessas aves para colheita de material para exames de saúde, genéticos e marcação para o monitoramento. Reencontros e recapturas de indivíduos marcados individualmente alimentam uma base de dados para estimar a sobrevivência e longevidade dos cardeais-amarelos no Parque Estadual do Espinilho.

Os resultados referentes à saúde das populações de aves silvestres no interior do parque deverão ser aplicados pelos gestores dessa área protegida para a tomada de decisões e para embasar eventual manejo de atributos naturais da unidade e do cardeal-amarelo, visando à conservação das espécies ameaçadas.

A expedição
A expedição teve início no dia 9 e foi encerrada no domingo passado (16). No dia 10, após mais de 1.300 quilômetros de estrada, os pesquisadores chegaram a Barra do Quaraí (RS). Além de percorrer toda a região que abrange os remanescentes de espinilho na busca dos territórios conhecidos dos cardeais-amarelos, a equipe dedicou-se à captura das aves para a coleta de material biológico com o intuito de subsidiar a avaliação da saúde das aves da região e marcá-las com anéis metálicos e coloridos (as anilhas) para estudos futuros.

“Os gestores do Parque Estadual do Espinilho, assim como proprietários rurais, foram muito importantes para o sucesso do trabalho desenvolvido durante a expedição. Os servidores do parque acompanharam as atividades em campo com as aves e apoiram os pesquisadores na articulação com demais proprietários, que, por sua vez, garantiram a logística em campo”, disse Patrícia Serafini, analista do Cemave.

Nesse sentido, segundo ela, um outro objetivo da expedição, que era aproximar-se dos proprietários de terras e pecuaristas da região, foi cumprido. “Os produtores rurais são verdadeiros responsáveis pela manutenção dos processos que regulam os ambientes campestres adequados para a permanência de aves ameaçadas na região do Parque Estadual do Espinilho”, reforçou Serafini.

Ao longo dos últimos anos de implementação do PAN Campos Sulinos, ainda segundo a analista, tem-se observado que é possível aliar a produção de gado com a conservação dos campos nativos e as espécies que vivem no local. “Essa percepção vem se consolidando entre os produtores de gado no estado e a sua ampla valorização na sociedade é chave crucial para o sucesso em grande escala do PAN Campos Sulinos.”

A analista do Cemave fez questão de agradecer, em nome da equipe, as pessoas da região que contribuíram para o êxito da expedição. “Ao longo de nosso trabalho de campo tivemos o apoio fundamental de vários aliados, como Pedro Laporte, de Uruguaiana; dos irmãos Nelson e Elias da família Doviggi da Fazenda São Marcos; e da família Bastos da Fazenda Pai Passo, por meio de Ângelo e Pedro Bastos e seus colaboradores, que nos receberam e abrigaram durante toda a expedição”, afirmou Serafini.

O Espinilho e o PAN Campos Sulinos
Composta por savana de arvoretas espinhentas e retorcidas, típica da extremidade oeste do Rio Grande do Sul, a formação de espinilho ocorre em sub-região do bioma Pampa e possui espécies de aves raras, restritas a essa formação, sendo também o único ambiente de ocorrência de espécies vegetais com extrema dificuldade de regeneração, os algarrobos e inhanduvás (Prosopis nigra e P.affinis, respectivamente).

Os Campos Sulinos são campos dos biomas brasileiros Pampa e Mata Atlântica. São ecossistemas naturais com alta diversidade de espécies vegetais e animais que se estendem além do sul do Brasil sobre amplas regiões do Uruguai e Argentina.

Nas últimas décadas, cerca de metade da superfície de campos do Rio Grande do Sul foi transformada em outros tipos de cobertura vegetal e muitas aves não conseguem “lidar” com as pressões e impactos gerados, por exemplo, pela expansão da agricultura, da silvicultura e pela continuidade de atividades ilegais como a captura de espécimes para o tráfico de animais.

Considerando este cenário e o estado de conservação das aves, em 2011 foi elaborado o PAN Campos Sulinos, um plano de ação nacional para a conservação das espécies de aves ameaçadas dos campos e do Espinilho, como o cardeal-amarelo. O plano tem o objetivo maior de promover ferramenta de gestão para a conservação de um conjunto de espécies sob os mesmos fatores de pressão. Com ICMBio

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