Banner Águas de Pará de Minas   Banner Facebook

Contra a solidão da escrita

scrvvv
Por Ana Cláudia SSaldanha
Não há dúvida sobre a solidão do ato de escrever. Quando o escritor está em seu oficio, ele está só. É claro que ele leva nesta sua solidão uma bagagem. Nela estão suas experiências, suas lembranças, seus amores, seus desafetos também. Mas ele vai sozinho. Escrever é um ato solitário, sim. E o mais engraçado é que, em meu caso, o escrever é tão meu, que me surpreendo quando alguém diz que leu um conto, ou uma crônica, um poema, um livro… É como se eu publicasse para mim mesma. Não entendam como egoísmo. Não é nada disto. Mas, felizmente, nos últimos tempos, eu tenho sido surpreendida por este fato mais vezes, o que tem me dado grande prazer. Quando alguém me fala que leu tal coisa, eu vou correndo pra casa ler novamente o que escrevi, pois quero encontrar o olhar do leitor.

Um dia, aconteceu um fato muito engraçado: eu estava com um probleminha de coluna e fui andando meio torta pra escola da minha filha para buscá-la, nisto encontrei um rapaz que gritou pra mim com o carro em movimento: “gosto muito da sua coluna”! Na hora, eu não entendi nada. Pensei: santo Deus! Devo estar tão torta que o moço viu! Mas ele estava se referindo à coluna do jornal. Acabei rindo muito depois.

Mas, voltando à solidão do escritor, é bom demais poder encontrar o leitor. Sempre tenho encontros maravilhosos com meus leitores. Lembro-me de uma terceira série que fez um sarau muito bem dirigido pela educadora Marília Vasconcelos. Eles apresentaram minha biografia que confesso ter ficado melhor do que a realidade. Meus poemas do livro “Zulll!!! – começo, meio e sem fim” foram divinamente interpretados. Cheguei a ficar emocionada. Eu fico tão cheia de esperança neste mundo e no futuro deste mundo quando vejo que as crianças estão lendo!

Nestas ocasiões, fico pensando nas palavras de Galileu. Uma vez, perguntado sobre sua idade, ele respondeu que tinha mais ou menos oito anos. Uma contradição diante de suas barbas brancas. Galileu afirmava que não temos os anos que passaram. Temos os que ainda iremos viver. Posso compreendê-lo, mas não penso como ele. Acredito que as únicas coisas que realmente temos é o que vivemos, o que aprendemos, o que desfrutamos, o que saboreamos, o que compartilhamos, o que sentimos saudades, o que amamos, o que fica na lembrança. Acho até que isto, nós levamos para o lado de lá. O que ainda não vivi, são meus sonhos, projetos, sementes da minha futura realidade. Para não ser tão presunçosa e entrar em choque com um Galileu, vou escolher o meio termo: a vida é agora. O homem é tudo que ele viveu, mais o que ele faz do que ele viveu e o que ele faz pra se tornar futuramente e também suas incertezas que movem seu ato criativo neste mundo.

Assim, vale a pena a solidão da escrita.

Um comentário

  1. Belo texto! Também sinto essa coisa do escrever ser algo tão meu, que nem me preocupo se estou sendo lido ou não. Quando vejo que tenho leitores, que tem gente lendo e até gostando do que eu escrevo, eu gosto muito, mas não é isso que me faz escrever. Obrigado por mais essa deliciosa crônica!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*

shop giày nữthời trang f5Responsive WordPress Themenha cap 4 nong thongiay cao gotgiay nu 2015mau biet thu deptoc dephouse beautifulgiay the thao nugiay luoi nutạp chí phụ nữhardware resourcesshop giày lườithời trang nam hàn quốcgiày hàn quốcgiày nam 2015shop giày onlineáo sơ mi hàn quốcshop thời trang nam nữdiễn đàn người tiêu dùngdiễn đàn thời tranggiày thể thao nữ hcm