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Papai Noel e suas renas rebeldes

Por Flávio Marcus da Silva

O Natal se aproximava e o ritmo de trabalho na fábrica de brinquedos do Papai Noel era intenso. Suas renas mágicas siberianas tinham que estar o tempo todo treinando seu voo pelo céu gelado da região, enquanto os duendes azuis do gelo fabricavam brinquedos e os empacotavam para serem entregues na madrugada de 24 para 25 de dezembro.

Por um lado, Papai Noel estava satisfeito, porque o dinheiro enviado por governos e empresas do mundo todo não parava de chegar, como forma de incentivo ao espírito capitalista do Natal, representado por Papai Noel, que exaltava o consumismo e a gulodice sem limites. Mas, por outro lado, o velhinho estava preocupado, pois suas renas mostravam-se inquietas, queriam participar mais, dar opiniões sobre o que produzir, e o pior: as mais rebeldes estavam questionando o próprio espírito do Natal, dizendo que não tinha nada a ver com aquilo que Papai Noel disseminava: coisas embrulhadas de presente, dinheiro, luzes coloridas, doces, perus assados, músicas entediantes.

Um dia, Papai Noel viajou até o Bosque das Sombras para conversar com Chapeuzinho Vermelho, dona de uma das empresas mais bem sucedidas do reino: a fábrica de gulodices Doces da Vovó. Com base em sua experiência, Chapeuzinho explicou ao bom velhinho como ele deveria tratar suas renas, de forma a colocá-las em seu devido lugar.

Papai Noel voltou animado para o Polo Norte e deu início a uma política de padronização de comportamento que tinha como objetivo transformar sua equipe de renas numa massa amorfa de trabalhadoras disciplinadas, focadas num único objetivo: conduzir o trenó de Papai Noel na noite de Natal. Nada de questionar o espírito do Natal estabelecido pelas empresas, nem de ter ideias sobre novos presentes e novas formas de entregá-los. Alyona, uma das renas mais insatisfeitas, chegou a sugerir ao chefe dos duendes que mensagens sobre o menino Jesus fossem colocadas nos pacotes, o que enfureceu Papai Noel. Como punição, ele lhe aplicou duzentas chibatadas no lombo, deixando-o em carne viva.

Depois disso, todas as renas fingiram concordar com o velhinho. Porém, sem que ele desconfiasse, Alyona introduziu no rebanho um camelo Talibã, que se disfarçou de rena e realizou um trabalho muito eficaz de doutrinação anticapitalista em suas companheiras. Rapidamente ele convenceu quarenta renas mágicas a executarem, na noite de Natal, uma missão que lhes custaria suas vidas, mas que seria de extrema importância na luta contra o que ele chamava de “Imperialismo Natalino”.

Papai Noel tinha oitenta renas, mas só utilizava quarenta para entregar os presentes. No dia 24 de dezembro, porém, quarenta renas mágicas fingiram passar mal, o que obrigou Papai Noel a utilizar as outras quarenta, justamente as que tinham sido treinadas para a missão suicida do camelo afegão.

Logo depois da meia-noite, carregado com mais de um milhão de presentes e estampando em suas laterais cerca de dez mil logomarcas de empresas patrocinadoras do espírito natalino, o trenó de Papai Noel se transformou numa enorme bola de fogo e caiu sobre o Bosque das Sombras, causando uma explosão que foi ouvida em todo o reino e mais além.

Um comentário

  1. marcio guimaraes barbosa

    Flávio,
    Existem dois personagens que anualmente nos são apresentados nesta época. Ambos são antagônicos.
    Um é o tal de papai noel, um velho barbudo e feio, sabiamente criado pelo “espírito capitalista” e carregando um grande saco, cheios de coisas que devemos comprar, os tais presentes.
    O outro um certo menino Jesus, nascido numa estrebaria cercado por animais como ovelhas e pastores e pela sua mãe e seu pai, um tal de José e uma tal de Maria, que pelo que conta a história não encontraram lugar na cidade para dormir e terem o menino que coincidentemente nasceria naquela noite.
    O velho, barbudo e com cara de bonzinho, talvez tal qual o seu “chapeuzinho”, continua nos enganando a tempos, induzindo-nos a comprar e comprar, o que talvez ninguém nem esteja precisando.
    Como aquele caso do menino que ganhou um brinquedo na noite de natal, quebrou-o no dia seguinte e jogou para o lado, porque gostava mesmo era do velho velocípede.
    O outro, o tal do menino Jesus, cresceu e tornou-se um grande e sábio mestre e com tamanha sabedoria, que independente ou não de gostarmos de religiões, deixou-nos ensinamentos perfeitos baseados no perdão, no amor, na fraternidade e solidariedade, que se hoje mais presentes nos nossos corações, faríamos um mundo bem melhor. Mesmo assim e com este sentido, devemos ficar alegres e podemos dar presentes, abrindo nosso coração e reunindo a família em torno de uma boa mesa, o que durante o ano todo tantas vezes parece tão difícil.
    Abraço e Feliz Natal todo dia, pra você e todas as famílias.

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