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Filhote de peixe-boi nasce na APA Costa dos Corais

Iran Normande

Uma boa notícia para a conservação da fauna brasileira. Um filhote de peixe-boi, recém-nascido, com uns poucos dias de vida, acaba de ser fotografado e filmado deslizando, serelepe, nas águas da Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais, em Alagoas.

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Segundo servidores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que atuam na região, o animal, cujo sexo não foi identificado, nasceu na APA, mais especificamente em Porto de Pedras, e é filho de Luna, uma fêmea de peixe-boi reintroduzida pelo ICMBio em 2008.

Ainda segundo os servidores, que estão em festa com a notícia, esse é o primeiro filhote de Luna e o oitavo de fêmeas oriundas do programa de reintrodução executado pela APA Costa dos Corais e pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste (Cepene).

“Isso é um indicativo de que o programa de reintrodução está funcionando”, disse o analista ambiental Iran Normande, chefe da APA Costa dos Corais, que, ao flagrar a cena, não perdeu tempo: fez fotos e vídeo do filhote no seu habitat.

O peixe-boi (Trichechus manatus manatus) é o mamífero marinho mais ameaçado de extinção do país. A estimativa populacional para a espécie é de cerca de apenas 500 indivíduos distribuídos ao longo da costa brasileira.

Programa
O programa de conservação de peixe-boi no Brasil, realizado pelo ICMBio com a ajuda de parceiros, teve início em 1994 com a reintrodução de dois animais em Paripueira (AL). De lá para cá, 44 peixes-bois resgatados pelas instituições da Rede de Encalhe de Mamíferos Aquáticos do Nordestes (Remane) e reabilitados pelo Instituto foram devolvidos à natureza.

O primeiro sítio de soltura, e o único atualmente em atividade no Brasil, está localizado dentro da APA Costa dos Corais, no rio Tatuamunha, em Porto de Pedras (AL). Dentre os animais soltos, 19 (43%) são fêmeas e 25 (57%) machos. Dentre as fêmeas reintroduzidas, 15 (79%) foram soltas na APA Costa dos Corais e 4 (21%) na APA da Barra de Mamanguape, na Paraíba.

Nesse período, foram registrados o nascimento de oito filhotes. No entanto, somente quatro fêmeas foram responsáveis por estes nascimentos, sendo a fêmea Lua com quatro parições, a fêmea Tuca com duas parições, a fêmea Áira com apenas uma parição e agora Luna, também em sua primeira parição.

Dentre os filhotes registrados, todos nasceram com vida, mas dois morreram poucos dias depois do nascimento. Após os dois primeiros registros de óbito, as atividades de conservação foram a cada ano mais aprimoradas e todos os demais nascimentos vêm sendo realizados com sucesso. Nesses casos, o atendimento imediato da equipe, somado ao trabalho socioeducativo promovido nas comunidades, é o grande diferencial.

Resgate
Luna, a nova mamãe, foi resgatada em 29 de agosto de 2005, na praia de Canoa Quebrada, no Ceará. Depois do resgate, foi transportada para a base do ICMBio na Ilha de Itamaracá, onde permaneceu sob os cuidados veterinários durante a reabilitação, até 1º de maio de 2008. Nesse dia, ela foi transportada para o cativeiro de aclimatação em Porto de Pedras.

“Vale destacar que ela (Luna) estava entre o primeiro grupo de animais que foi transportado para esse cativeiro, construído conjuntamente pelo ICMBio e Fundação Mamíferos Aquáticos, exclusivamente para o recebimento dos animais em processo final de reabilitação, para posterior soltura”, conta Fernanda Attademo, médica veterinária do Cepene.

Após período no cativeiro em ambiente natural, Luna foi liberada na natureza em 9 de novembro de 2008. No cativeiro, ela a sobreviver às situações naturais, como presença de outras espécies, mudança de maré e temperatura, entre outros aspectos. Apesar de comportamento de grande interação antropogênica (com o ser humano), a fêmea sempre teve uma boa adaptação no ambiente natural, interagindo com outros animais com sucesso na busca de alimentação e água.

Cerca de um anos atrás, Luna foi vista pela equipe do ICMBio em comportamento de cópula com outros animais reintroduzidos. Nos últimos meses, ela não estava sendo avistada pela equipe. Havia a suspeita de prenhes da fêmea, confirmada nessa terça-feira (15), quando Luna foi encontrada no rio Manguaba, em Porto de Pedras, Alagoas, junto com um filhote.

Manejo
Nos próximos dias, a equipe veterinária e de monitoramento realizará uma avaliação prévia, sem retirada dos animais da água. Mas, para evitar estresse da mãe e filhote, a equipe não realizará o manejo até que eles tenham melhor condição para esse tipo de atividade, o que deve ocorrer em duas semanas.

Além disso, as equipes do ICMBio e da Associação Peixe-boi ficarão de prontidão nesses dias acompanhando mãe e filhote, prontos para o imediato atendimento, caso necessário, e evitando uma interação das pessoas com os animais.

Recomendações
O ICMBio solicita às pessoas, que por acaso avistem os animais, não fornecer nenhum tipo de alimento ou água; não tocar nem se aproximar da mãe e do filhote; e evitar qualquer tipo de interação. No caso das embarcações, o Instituto pede aos condutores maior atenção durante o trânsito na região e, no caso de avistamento, que desliguem os motores até a passagem dos animais. Para mais informações ou dúvidas, basta ligar para (82) 3298-1346 (Base ICMBio Porto de Pedras/AL) e (81) 3544-1948 (Base ICMBio Itamaracá/PE). Com ICMBio

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