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Política de campeões nacionais é “quase um cacoete”, diz presidente do BNDES

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello, defendeu nesta terça (20) a criação de uma estrutura cada vez mais institucionalizada e organizada para a instituição, a fim de evitar a destinação de recursos para “alguns priorizados” e disse que a política de campeões nacionais é um “cacoete”. Rabello recebeu economistas e representantes de associações e do governo para um debate em comemoração aos 65 anos do BNDES, na sede do banco, no Rio de Janeiro.

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“O BNDES tornou inúmeras empresas campeãs nacionais desde os seus primórdios, tanto públicas quanto privadas. Essa história de campeões nacionais é quase um cacoete com o qual tivemos que lidar recentemente, e que não corresponde necessariamente à verdade histórica do banco”, disse Rabello, referindo-se à política adotada nos anos 2000, que ficou conhecida como “política de campeões nacionais”, em que créditos foram destinados a grandes empresas brasileiras para torná-las gigantes globais.

O banco homenageou três economistas com a entrega de medalha “Mérito Desenvolvedor”: os ex-ministros Reis Velloso e Delfim Netto, e o ex-presidente do BNDES Carlos Lessa.

Ao abrir o debate, Paulo Rabello afirmou que os recursos do banco deveriam ser cada vez mais capilarizados para milhares de empreendedores anônimos, destacando que a instituição foi criada em um Brasil que era voltado principalmente para a agricultura. Segundo ele, a atuação do banco ajudou a desenvolver no país a indústria, o setor energético e as obras de infraestrutura. “Uma indústria forte e diversificada que esse banco conseguiu fazer acontecer junto com empreendedorismo dos brasileiros”, disse.

O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes destacou que a sociedade demanda transparência do banco, que na sua visão tem papel importante na retomada econômica e na geração de empregos para os 14 milhões de desempregados. “Precisamos de um Estado mais facilitador e menos complicador. Facilitador no sentido de gerar emprego e renda”, disse o ministro. Ele destacou a área de auditoria interna do BNDES como um setor que precisa ser “fortalecido”.

O presidente do Banco do Brasil, Paulo Caffarelli, afirmou que a retomada econômica passa por investimentos em infraestrutura, estímulo à exportação e disponibilidade de crédito produtivo. Caffarelli disse que é preciso conceder crédito, principalmente a empresas que gerem empregos. Ele afirmou que um aumento de investimento em infraestrutura pode elevar o Produto Interno Bruto, já em 2019.

“Não vejo outro caminho a não ser o somatório do crédito produtivo, da infraestrutura e das exportações”, disse, prevendo uma retomada mais lenta que a das crises anteriores. “A crise, da qual estamos saindo, é completamente diferente das anteriores. Antes, eram quatro, cinco trimestres. Essa já passou de 20 trimestres [de queda]. A retomada não se dá com a mesma velocidade.”

Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaff, o BNDES precisa, no longo prazo, atentar para a revolução industrial representada pela inteligência artificial, estimulando a inovação, e, no curto prazo, aumentar a oferta de crédito. “Tem que haver uma reação forte do BNDES. O Brasil precisa que o banco faça, nos próximos seis meses, o que faria em seis anos”. Com Agência Brasil

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