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Torcidas femininas ganham força em Pernambuco


Já se foi o tempo em que as mulheres eram minoria nos estádios de futebol. Hoje, elas ocupam cada vez mais as arquibancadas e ganham respeito e a admiração dos torcedores. Em Pernambuco, o movimento vem crescendo e ganhando mais adeptas. Nos três principais times da capital pernambucana, existem grupos formados por mulheres que assistem aos jogos juntas e participam ativamente das decisões dos clubes.

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Elas ainda lutam contra o preconceito e o machismo dentro dos estádios. Muitas buscam ter voz ativa no clube e querem participar da tomada de decisões. A tarefa não é fácil, mas elas garantem que estão conquistando cada vez mais espaço dentro e fora dos campos de futebol e prometem não parar por aqui.

Para dar mais voz a essas mulheres, a Federação Pernambucana de Futebol (FPF) preparou uma matéria especial com três movimentos formados por garotas que deixaram de lado o medo de frequentarem os estádios e foram em busca de realização como torcedoras.

CORALINAS

Com apenas 25 anos de idade, a jornalista Maiara Melo reinventou juntamente com outras 57 meninas o jeito de torcer pelo Santa Cruz. Em agosto do ano passado, surgiu o movimento “Coralinas” criado para incentivar mais mulheres a irem aos jogos do Tricolor. O grupo foi ganhando força e hoje elas participam ativamente do clube, chegando até a se reunirem com a diretoria Coral para sugerirem ideias.

– O Santa Cruz recebe muito a gente. Já participamos de reunião com o presidente e com outros diretores. Levamos a pauta da versão feminina na camisa do clube. A diretoria lançava uniforme sem a versão e a gente começou a cobrar e hoje toda a camisa que sai do Santa tem a versão feminina. A primeira de goleiro eles fizeram agora porque antes nunca teve – disse Maiara.

A jornalista conta que sentiu a necessidade de realizar ações permanentes nos dias de jogos para deixar o estádio mais receptivo para as mulheres. Ela conta que sentia falta disso, então, o grupo Coralina resolveu colocar kits de higiene pessoal nos banheiros femininos.

– Colocamos caixinhas nos banheiros femininos com kits higiênicos para as mulheres. O maior problema da gente nos estádios, em geral, é que eles não são receptivos para mulheres – explicou.

Além disso, o grupo formado há um ano também realiza peladas semanais no próprio society do clube. É uma forma de viver o futebol dentro de campo para elas.

Mesmo com um reconhecimento grande dentro do Arruda e fora do estádio também, Maiara sente falta de mais espaço e respeito.

– A gente queria ser mais recebida e mais ouvida, mas entendemos que tudo é um processo. Já brigamos muito com outros torcedores por causa de xingamentos, mas a gente entende que tudo é um processo e que com o tempo e com diálogo eles vão continuar abrindo as portas para nos ouvir – finalizou.

ELAS E O SPORT

Grupo formado pelas redes sociais há cerca de 1 ano e meio, com a participação efetiva da assistente administrativo, Chaleny Karine, 29 anos, e de outras cinco mulheres: Danielle Bandeira, Vivianne Barros, Renata Rangel, Ana Gabrielly e Rafaella Amorim. O “Elas e o Sport” reúne, atualmente, milhares de torcedoras pela internet e centenas delas em dias de jogos do Leão.

– O movimento foi criado para incentivar as mulheres a irem ao estádio e também para mostrar que não é só homem que entende de futebol – explica Chaleny.

Para quebrar o preconceito, ela junto com as outras meninas movimentam as páginas nas redes sociais (Facebook, twitter, e instagram). Por lá, tentam mostrar que mulher tem direito de ir ao estádio sozinha, acompanhada ou do jeito que bem entender.

– O nosso pensamento é de apoiar o Sport de todas as formas. Muitas meninas não iam aos jogos porque não tinham com quem ir e hoje elas vão sozinhas, se encontram com a gente e fazem aquela festa –disse.

No WhatsApp elas têm um grupo que conta, atualmente, com a participação de mais de 100 mulheres. Na rede de troca de mensagens, elas conversam sobre tudo o que envolve o Leão, além de comentarem sobre os jogos, resultados e contratações.

Em dias de jogos na capital pernambucana, ela e as outras administradoras do grupo marcam com outras mulheres para irem juntas para a Ilha do Retiro, onde se encontram e debatem sobre futebol antes do início da partida.

– A gente marca para ir todo mundo junto para a Ilha, tem um pessoal que não é sócio e a gente incentiva a se associar. A gente se encontra na sede, reúne, conversa.

O preconceito ainda existe, porém Chaleny explica que em menor número.

– Hoje o preconceito é bem menor. Não aconteceu com a gente, mas temos relatos de amigos, tios, avôs ou pais que falam para as mulheres palavras como: “Não vai para o jogo, não é lugar para mulher”– comentou.

Além de tentar reunir o maior número possível de mulheres a cada jogo, a administradora do grupo explica que um dos papéis do movimento é trazer mais sócios para o clube.

– Primeiro a gente quer o bem do nosso clube, quer que ele melhor a cada ano, então a gente tenta mostrar que se associando ao Sport podemos levar o time a um patamar maior. Quanto maior o número de sócios teremos mais renda, mais contratações, então assim ajudamos o clube – destacou.

Ações sociais também são realizadas pelo movimento. A última, lançada semana passada, pede para que os torcedores rubro-negros participem da campanha “Amor além das arquibancadas” onde é pedido doações de fraldas geriátricas, produtos de higiene, produtos de limpeza, entre outros. Os donativos serão levados para a instituição Lar Vovó Cilene, instituição carente e sem fins lucrativos que realiza trabalhos e cuidados com idosos que, em sua maioria, não tem mais contato com a família.

TIMBUZEIRAS

Atualmente com 24 torcedoras, o movimento foi criado há um ano com o intuito de fazer com que as mulheres participem mais ativamente do clube. Segundo a jornalista, Vanessa Capistrano, 29 anos, a ideia surgiu pelo baixo número de torcedoras em campo.

– Por mais que as mulheres estejam indo mais a campo ultimamente, ainda não é como esperávamos. Muitas delas também pensavam em não ir ao estádio para não irem sozinhas, por isso a criação do movimento – disse.

Vanessa junto com as outras mulheres que compõem o grupo sabem da dificuldade do clube e da necessidade de se ajudarem como torcedoras. Por isso, participam com frequência de ações que incentivem mais torcedoras, além de sempre estarem movimentando as redes sociais do grupo para chamar a atenção da torcida alvirrubra.

– A maioria das nossas ideias são para ajudar o clube nos jogos. Além de trazer as mulheres ao estádio, sempre postamos textos, fotos, e tivemos a iniciativa junto com o clube de participar das festas no pré-jogo com o intuito de movimentar a torcida em geral – explicou.

Um dos pontos principais das Timbuzeiras é chamar a atenção das torcedoras sobre a importância de se associar ao Náutico.

– Estamos nos reunindo para que as meninas se associem para ajudar o clube. Sócios ativos no Náutico não chegam nem a 2 mil. É um quadro preocupante. Por mais que a situação esteja difícil e que o clube não tenha ajudado, nós somos a única esperança que o Náutico tem – revelou.

Nas redes sociais, as meninas postam fotos a cada jogo, incentivando o clube, publicando palavras de apoio e de superação, além de realizarem promoções para as torcedoras do Timbu. Com site da CBF

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