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Trigo tolerante à doença e resistente à seca é alternativa para cultivo no inverno

Para dar suporte técnico aos triticultores, experimentos de vários projetos de pesquisa estão sendo conduzidos pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), no Campo Experimental Sertãozinho de Patos de Minas, em parceria com a Embrapa Trigo. Pesquisadores identificam cultivares mais produtivas, tolerantes às doenças e resistentes à seca.

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Durante o Workshop Trigo Tropical, realizado em Passo Fundo (RS), o pesquisador da Epamig Maurício Coelho apresentou resultados da pesquisa para o controle da doença do trigo, denominada brusone, que pode acabar com uma lavoura inteira.

As altas temperaturas associadas à alta umidade na folha do trigo são fatores favoráveis ao desenvolvimento da doença. Uma alternativa, segundo o pesquisador, é trabalhar com seleção de materiais tolerantes à seca e fazer o plantio no final do período das chuvas, a partir de meados de março, quando as temperaturas já estão mais baixas, fator climático que desfavorece o fungo causador da doença.

Outra opção, caso o plantio tenha que ocorrer mais cedo, é trabalhar com material tolerante à doença.

Com o avanço das pesquisas e maior acesso a informações técnicas, o produtor descobriu que a rotação com esta cultura traz não só vantagens diretas obtidas com a venda do grão, mas também possibilita vantagens indiretas por meio da palha residual do trigo.

“O custo de produção da cultura de verão diminui, pois normalmente não há necessidade de aplicar herbicida dessecante para implantação, e ocorrerá redução com aplicação de fungicidas para controlar doenças”, afirma o pesquisador.

Ele explica que isso ocorre porque a palha residual do trigo na lavoura é bem resistente e demora a se decompor, proporcionando manutenção da umidade por um período mais prolongado. Com isso, reduz o potencial de multiplicação de algumas doenças das culturas de verão e promove proteção do solo formando uma barreira física que impede a germinação de sementes das plantas invasoras.

O produtor Eduardo Abraim, há 18 anos iniciou o plantio de trigo irrigado na sua propriedade em Araguari, no Triângulo Norte, quando procurava uma opção para a safra de inverno. Ele recorda que na época existiam poucas informações técnicas sobre o plantio e quase nenhuma sobre variedades de trigo. Foi então que começou a estudar o assunto.

“Com o advento da ferrugem asiática, as pesquisas buscaram variedades de soja com ciclo mais curto e, assim, abriu espaço para a safrinha. Começamos então a testar o trigo na safrinha e a cultura se mostrou viável economicamente e com muitos benefícios para o sistema produtivo”, diz.

De acordo com o produtor, hoje, os triticultores contam com informações das pesquisas conduzidas pela Epamig e Embrapa alinhadas com a demanda da indústria, que busca produtividade e qualidade, e do produtor, que busca principalmente materiais tolerantes a doenças.

“Esse trabalho disponibiliza no mercado várias cultivares recomendadas para o cultivo de sequeiro e irrigado em Minas Gerais”, afirma Abraim. A Embrapa lançou em 2015 duas novas cultivares para cultivo no estado: a BRS-404, para cultivo de sequeiro, e a BR-394, para cultivo irrigado. São cultivares plenamente adaptadas às condições edafoclimáticas de Minas Gerais, com alta produtividade e excelente qualidade industrial.

Adaptação de cultivares
A Epamig possui a cultivar Brilhante. De acordo com o pesquisador Maurício Coelho, para ser lançada uma nova cultivar exige-se registro no Ministério da Agricultura e comprovação da eficiência da pesquisa, que pode demorar de 8 a 10 anos.

“Entre as diversas etapas, temos que selecionar milhares de linhagens, testar por quatro ou cinco anos, especificar a qualidade, aptidão e informar suas características para quem vai comprar as sementes. Atualmente, diversas linhagens estão sendo avaliadas nas fases finais do desenvolvimento de novas cultivares, pela Epamig e pela Embrapa, visando maior tolerância à seca e à brusone”, informa.

Na região do Alto Paranaíba, Triângulo Mineiro e Noroeste de Minas, os setores produtivo e de pesquisas movimentam para conhecer melhor a cultura do trigo, buscando cultivares adaptadas. Recentemente, a Epamig recebeu uma nova demanda.

Durante visita técnica ao Campo Experimental de Sertãozinho, profissionais ligados a grandes empresas agrícolas da região destacaram seu interesse por cultivares que produzem muita palha e grão para atender ao mercado de ração animal.

Toda esta movimentação se dá pela expectativa de avanço na cultura do trigo na região tropical do Brasil. Nos últimos anos o país vem produzindo de 30% a 50% das 10 milhões de toneladas de trigo que consome por ano. Além disso, existe uma grande demanda mundial, já que o estoque atual de trigo no mundo é baixo.

Comtrigo
O Governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), desenvolve o Programa de Competitividade da Cadeia do Trigo em Minas Gerais (Comtrigo), com o objetivo de fomentar a cultura e aumentar a produção nas regiões que apresentam características favoráveis à cultura.

Nesta fase de implantação da cultura como nova opção agrícola, pode-se esperar para as próximas safras a continuidade do crescimento da sua produção. Estima-se o crescimento da próxima safra em cerca de 10 a 15% sobre a safra anterior, conforme colheita prevista para a partir de julho/agosto de 2016, podendo alcançar 300 mil toneladas de trigo. Com Agência Minas

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