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Pesquisa da CNI indica que maioria dos brasileiros apoia mudanças na Previdência

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A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta quarta (18) pesquisa para mostrar que 65% dos brasileiros concordam com a idade mínima para aposentadoria. A pesquisa indicou também um crescimento no número de brasileiros que apoiam a reforma, com equiparação do tempo de contribuição para todos os brasileiros. Dos entrevistados, a pesquisa mostra que 75% preferem mudanças nas regras da aposentadoria para garantir a sustentabilidade do regime.

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Chega a 65% o percentual dos que apoiam mudanças na idade mínima para aposentadoria por tempo de contribuição e 72% defendem a equiparação das regras para todos os trabalhadores.

De acordo com confederação, a pesquisa, realizada em parceria com o Ibope Inteligência, mostrou que está aumentando o apoio popular para que as aposentadorias ocorram em idades cada vez mais avançadas. Conforme a CNI, em 2007 31% dos entrevistados diziam que os trabalhadores deveriam se aposentar com mais de 55 anos. Na pesquisa atual, o percentual subiu para 48%. A parcela dos que entendem que a aposentadoria deve ocorrer depois dos 60 anos subiu de 8%, em 2007, para 17%.

Para 60% dos entrevistados, não é justo que alguns grupos se aposentem seguindo regras diferenciadas, como idade menor ou menos tempo de contribuição. Outra dado da pesquisa revelou que a diferenciação entre profissionais do mesmo sexo também deve ser extinta.

A CNI informou ainda que, para 40% dos entrevistados, o valor pago às pessoas que se aposentam mais cedo deve ser menor do que para as pessoas que se aposentam mais tarde. Em 2014, o percentual era de 29%.

Outro dado da pesquisa indicou que 47% dos entrevistados acreditam que os brasileiros se aposentam mais tarde que os trabalhadores de países desenvolvidos, contra 26% que acreditam que é mais cedo ou com a mesma idade.

O chefe da Unidade de Política Econômica da CNI, Flavio Castelo Branco, informou que a pesquisa destacou uma tendência, mas tem certas incoerências, pois a população não percebe o que regime diferenciado nas aposentadorias representa um custo para a sociedade. “A maioria concorda que a Previdência deve ser igual para todos, mas, de certo modo, ainda aceitam alguma diferenciação e isso impõe custos para a sociedade. É normal porque é uma questão bastante complexa”, acrescentou.

A indústria é um dos setores que defende que a reforma do sistema previdenciário, com a criação de uma idade mínima para aposentadorias por tempo de contribuição e de isonomia entre trabalhadores, é decisiva para equilibrar as contas públicas, uma vez que está havendo um envelhecimento da população.

Agenda Brasil
Para a CNI, a aposentadoria precoce contribui para aumentar o rombo do sistema, que, somando o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) com a previdência dos servidores públicos civis e militares da União, terá um déficit que deve chegar a R$ 200 bilhões em 2016, de acordo com informações do Tribunal de Contas da União (TCU).

A CNI pede ainda desvinculação do valor dos benefícios previdenciários do salário mínimo e a diferenciação do piso dos benefícios previdenciários do piso dos benefícios assistenciais.

Os números da pesquisa da CNI sobre a Previdência fazem parte de um grupo de 36 propostas apresentadas pelo setor para tirar o país da recessão. Também foram incluídos na chamada Agenda para o Brasil sair da crise 2016-2018, entregue ao presidente interino Michel Temes.

A agenda contém outras sugestões, como a reforma na legislação trabalhista, de tributação e o aumento das concessões em infraestrutura, avanços na área de comércio exterior e melhores condições de crédito para as empresas. A CNI disse acreditar que, com a adoção dessas iniciativas, os empresários recuperarão a confiança para voltar a investir.

Na pesquisa sobre a Previdência foram entrevistadas 2.002 pessoas em 143 municípios entre 04 e 07 de dezembro de 2015. O diretor de Politicas e Estratégia da CNI, José Augusto, afirmou que a pesquisa só foi divulgada agora por falta de recursos para publicação e das férias de fim de ano.

Outra fator que pesou foi que a Confederação preferiu não divulgar os números durante a análise do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Para José Augusto, a divulgação agora é útil para a compreensão da Previdência Social.

“O Brasil mudou. As pessoas têm mais expectativa de vida e isso explica um impacto fiscal dramático para a Previdência, que já tem um déficit hoje e terá um maior no futuro. Se não garantirmos a solvência da Previdência, o que aconteceu na Grécia, no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul poderá ocorrer com todos nós no futuro”, concluiu o diretor. Com Agência Brasil

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