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Candura na Ilha dos Búfalos

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Por Flávio Marcus da Silva

Quando a peste se alastrou pela ilha, dizimando a população, o velho Jerônimo e seus filhos abriram as porteiras de sua enorme propriedade e libertaram todos os búfalos, que correram para as matas e pântanos do interior, livres e felizes. Nenhum ser humano sobreviveu à terrível epidemia, e até hoje, dez anos depois do último habitante da ilha dar o seu último suspiro, ninguém mais pôs os pés no lugar, com medo de se contaminar.

Dos búfalos que seguiram para o interior, só um ficou triste com a liberdade: uma jovem fêmea chamada Candura, batizada assim pelo filho mais novo do velho Jerônimo, um menino de seis anos, que todos os dias de manhã, antes de ir para o trabalho, acariciava-lhe a cabeça, brincava e conversava com ela.

Hoje Candura tem treze anos e ama a liberdade.

Quase todos os dias ela se afasta de seus companheiros e se embrenha na mata mais próxima, onde fica por cerca de uma hora, voltando depois para junto da manada a passos leves, como se flutuasse no ar, olhando para as copas das árvores e para o céu.

Uma vez seu primo Luar a seguiu. Candura avançou pela mata até uma pequena clareira, perto de um lago, e lá começou a balançar a cabeça, como se cumprimentasse alguém, mas de um jeito diferente, que Luar nunca tinha visto. Depois ela abaixou o pescoço, mantendo-o assim por um tempo, como se um ser humano o estivesse acariciando. (Luar se lembrava dos seres humanos da ilha e de como alguns acariciavam os búfalos). Depois Candura começou a pastar, virando a cabeça para trás de vez em quando, como se olhasse para alguém montado em cima dela. Ela estava feliz.

Uma hora depois, Candura esticou o focinho, como se para receber ali uma carícia, e, de repente, o velho cabresto de couro que ela trazia preso à cabeça desde o tempo dos humanos foi ao chão. Em seguida ela mugiu, piscou duas vezes e foi embora.

Luar não entendeu nada. Voltou para onde estava a manada e lá encontrou a prima, feliz e em paz, olhando para o céu…

Um comentário

  1. Um dia, a catarse.

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