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Viagem Ostentação

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Ele serviu figos brancos secos espanhóis aos seus convidados esperando que alguém perguntasse de onde eram, só para responder: “da Espanha”; aí ele começaria a falar de sua última viagem à Europa, de sua fluência em espanhol e do que ele pensava sobre a crise na Grécia, na Albânia, etc., ou sobre a nova política de imigração na França, sempre dando como exemplos fatos que ele tinha presenciado in loco. Exibicionismo puro.

Solteirão, sem filhos, bem sucedido, dizia que dinheiro era para gastar, e como já tinha uma boa casa, um bom plano de saúde e uma aposentadoria privada bem rechonchuda, resolveu torrar sua grana viajando para o exterior, principalmente para a Europa, de onde sempre voltava cheio de roupas de marca, chocolates, perfumes e milhares de fotos, que ele disponibilizava em profusão nas redes sociais. Quando revia seus álbuns, muitas vezes não sabia se tal monumento era em Florença, Praga ou Budapeste, se aquele túmulo imponente era em Paris ou Bruxelas, se aquela cervejaria era em Berlim, Frankfurt ou Munique. Não conhecia a história de nenhum lugar que visitava – nos museus, era um peixe fora d’água (só ia mesmo para dizer que foi) –, mal arranhava o inglês, e do francês só sabia algumas frases decoradas. Mas como tirava fotos!

Em sua maior parte, suas viagens eram pura ostentação, só para contar vantagem, fazer inveja nos outros, por isso a febre do registro, a obsessão pelas fotos, em que sempre aparecia com um sorriso imenso na face redonda e rosada, próximo a monumentos e prédios famosos – Torre Eiffel, Big Ben e Coliseu: obrigatórios! –, ou sentado em cafés e restaurantes comendo iguarias chiques que, muitas vezes, ele mal conseguia engolir, de tão horríveis que eram.

Como ele não falava nada de inglês, tinha que viajar em excursões organizadas por agências de turismo, cansativas até a morte: um corre-corre incessante daqui pra ali, um sobe e desce de malas, um entra e sai de ônibus e trens, viajando às vezes noites inteiras para conhecer duas ou três cidades num único dia. Mas nas fotos tudo parecia perfeito.

Naquele dia, quando serviu figos importados aos seus convidados, ninguém perguntou de que país eram as delicadas iguarias. Então ele disse, apontando para a mesa: “São figos brancos secos espanhóis”, e começou a debulhar seu rosário de casos sobre sua última viagem. Alex, um dos presentes, suspirou baixinho: “Ai meu Deus…”. Jandira, sentada meio de lado no sofá, fingindo interesse na história, pensava: “Assim que eu chegar em casa tenho que passar de novo aquela pomada no cu. Tá ardendo pra caralho isso aqui. Que animal! Em pé, no meio da sala… Não, naquela posição e daquele jeito com o Jorge, nunca mais…”. E o Jorge, lembrando-se de um jarro de flores de plástico cor-de-rosa que ficava num canto da sala de Jandira, pensou orgulhoso: “Hoje eu arrasei”.

Flávio Marcus da Silva

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