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Pesquisadores desenvolvem porta-enxerto híbrido para cultivo protegido de pimentão

Francisco Reifschneider

Proteger cultivos de pimentão em solos infestados com bactérias do complexo Ralstonia, causador da murcha-bacteriana, Phytophthora capsici e nematoides-das-galhas. Esse foi o principal objetivo das pesquisas desenvolvidas pela Embrapa Hortaliças (Brasília-DF) para disponibilizar uma variedade de porta-enxerto com resistência múltipla a doenças e alta compatibilidade com as variedades hoje em uso comercial.

Esse é o caso do BRS Acará, porta-enxerto híbrido que tem como público-alvo produtores de pimentão em cultivo protegido e viveiros de produção de mudas enxertadas de pimentão. Como toda tecnologia desenvolvida, o BRS Acará passou pelo processo de validação de suas características, quando foi comparado com outros porta-enxertos já existentes no mercado. E, segundo a pesquisadora Cláudia Ribeiro, que coordena o programa de melhoramento genético de Capsicum (pimentas e pimentões) o novo material ficou à altura do desafio.

Para melhor entendimento da questão, a pesquisadora explica que além da resistência a múltiplas doenças, o porta-enxerto tem que apresentar boa compatibilidade com o híbrido que, no caso do pimentão, será enxertado. “A planta do híbrido enxertado (cavaleiro) tem que produzir igual ou mais do que a planta do híbrido sem enxerto (conhecido como pé franco) ”, anota Cláudia, para acrescentar: “Em estudos conduzidos na Embrapa foi medida a compatibilidade de BRS Acará com diferentes híbridos comerciais de pimentão – plantas de híbridos comerciais de pimentão enxertadas em BRS Acará chegaram a produzir 35% a mais de frutos do que os seus respectivos pés francos (plantas não enxertadas) ”.

Além disso, ainda no quesito avaliação, nos testes feitos no núcleo rural de Pipiripau-DF, BRS Acará adaptou-se muito bem aos híbridos de pimentão usados, inclusive Margarita, preferencialmente plantado no Distrito Federal. “Levando tudo isso em consideração, podemos concluir que BRS Acará é um dos melhores porta-enxertos do mercado e superior a diversos híbridos porta-enxertos comerciais”, sintetiza Cláudia.

Fitossanidade
Com o uso intensivo do solo em telados e casas de vegetação, onde a rotação com cultivos não é feita, tem aumentado a ocorrência de problemas fitossanitários, causados principalmente por patógenos de solo. Para enfrentar essas dificuldades, uma boa alternativa é o uso de mudas enxertadas de híbridos comerciais de pimentão, cujas sementes têm um custo elevado. “Em solos naturalmente infestados, o uso de porta- enxerto resistente a doenças de solos tem permitido uma boa produção de pimentões, apesar da presença de patógenos”, destaca a pesquisadora, que inclui também como saldo positivo no perfil do BRS Acará a redução do uso de agrotóxicos.

“O uso de porta-enxerto com resistência múltipla aos principais patógenos de solos que afetam a cultura do pimentão é o método de controle mais seguro e eficiente, evitando e/ou reduzindo o uso de agrotóxicos para o controle das doenças”, assinala Cláudia.

Disponibilidade
Após oito anos de pesquisas, experimentos, avaliações e validações, o BRS Acará está pronto para ser comercializado – já passou pelas etapas de proteção e registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), e aguarda o licenciamento de empresas que irão produzir e comercializar mais esse material desenvolvido pela Embrapa. Com informações da Embrapa

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