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Tradições culturais do Norte de Minas são resgatadas com festas de Agosto

Fábio Marçal

Há quase dois séculos, as ruas de Montes Claros, no Território Norte do estado, ganham um colorido especial nesta época do ano e se transformam em um reduto de fé, cultura popular, música, e muita alegria. São as Festas de Agosto, que acontecem entre os dias 16 e 20 deste mês.

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Em sua 178ª edição, o evento faz um resgate das matrizes africana, portuguesa e indígena, responsáveis pela formação do povo norte-mineiro. A expectativa dos organizadores é a de que 60 mil pessoas visitem a cidade durante o período.

Paralelamente à festa, acontece o 39º Festival Folclórico, que promove o encontro de educadores com membros da comunidade. O Governo de Minas Gerais apoia os dois eventos por meio da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) e da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes).

Durante as Festas de Agosto, grupos de catopês, marujos e caboclinhos homenageiam Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e o Divino Espírito Santo, valorizando a cultura e a religiosidade popular da região.

A tradição é repassada de geração em geração, sendo motivo de alegria entre os participantes, que se orgulham de suas raízes.

João Pimenta dos Santos, o Mestre Zanza, presidente da Associação dos Grupos de Catopês, Marujos e Caboclinhos de Montes Claros, começou a participar dos cortejos quando tinha quatro anos de idade. Aos 84 anos, ele é o mais antigo integrante da festa.

“Meu avô era escravo e montou o grupo de catopês quando a cidade ainda era uma fazenda. Quando meu avô morreu, meu pai assumiu a liderança, mas faleceu quando eu tinha 17 anos e a missão passou para mim”, relembra Mestre Zanza.

A história de Maria do Socorro Pereira Domingos, chefe do Primeiro Grupo de Caboclinhos de Montes Claros, é semelhante à do Mestre Zanza. Foi com amor que ela assumiu o lugar do pai, o Mestre Joaquim Poló, após seu falecimento, há oito anos.

“Fui a primeira mulher a entrar para os Caboclinhos, quando tinha oitos anos de idade. Assumi a coordenação em memória ao meu pai e daqui só saio quando morrer”, conta.

História
As Festas de Agosto são as mais antigas e tradicionais de Montes Claros. Atas da Câmara Municipal indicam que o festival surgiu por volta de 1839. De acordo com Aroldo Pereira, um dos organizadores do evento, além de fortalecer a cultura popular local, a festa também ajuda a elevar a autoestima dos moradores da região.

“Gente simples, como trabalhadores da construção civil, carroceiros, padeiros, donas de casa, comerciantes e artistas são os principais mantenedores, organizadores e dançantes do evento”, assinala.

É o caso de José Hermínio Ferreira Pinto, de 51 anos, Mestre da Segunda Marujada de Montes Claros.

“Trabalhei como padeiro durante muitos anos e agora sou ajudante de serviços gerais, mas sempre gostei da festa. É uma tradição do nosso povo. Comecei a participar por curiosidade. Isso foi há 23 anos. Há dois anos, quando o Mestre Tone Cachoeira faleceu, me pediram para assumir a liderança”, diz.

39º Festival Folclórico
Durante a 178ª edição das Festas de Agosto, também acontece o 39º Festival Folclórico de Montes Claros, que irá promover o encontro de educadores para debate dos elementos principais da festa. O evento é uma parceria da Prefeitura de Montes Claros com a Unimontes. Durante o evento serão realizados ainda os lançamentos de livros e uma exposição de estandartes com o artista Elton Souza.

De acordo com o professor da Unimontes, Jânio Marques Dias, mestre em História Social com foco em Religiosidade Popular, durante o encontro será realizado um debate entre profissionais que estudam o tema religiosidade popular.

“Vamos falar sobre os elementos que compõem as Festas de Agosto e sobre a importância de manter essas tradições. A comunidade também participa, pois é aberto ao público. Durante o festival, a universidade também vai promover oficinas de teatro e de artes plásticas”, ressalta.

Incentivo à cultura popular
Em 2016, o Governo de Minas Gerais destinou, aproximadamente, 25% dos recursos do Fundo Estadual de Cultura, o equivalente a R$ 2,5 milhões, a projetos que ajudam a fomentar festas populares, de acordo com o secretário adjunto de Cultura, João Batista Miguel. E esse incentivo tende a aumentar.

“O governador Fernando Pimentel encaminhou este mês à Assembleia Legislativa o Projeto de Lei (PL) 4.450/17, que institui o Sistema Estadual de Cultura, muda a Lei Estadual de Incentivo à Cultura e as regras do Fundo Estadual de Cultura (FEC). Com essa mudança, as expressões populares serão ainda mais valorizadas”, finaliza Miguel. Com Agência Minas

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