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Após título da Unesco, ativistas defendem museu da escravidão no Cais do Valongo

Fernando Frazão/Agência Brasil

Especialistas e lideranças negras comemoraram nesta segunda (10) o reconhecimento do Cais do Valongo como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco). A medida foi anunciada nesse domingo (9) pela entidade em sua reunião anual, que ocorreu na Polônia, e, segundo os ativistas, deve ser o primeiro passo para garantir a construção de um museu sobre o legado dos negros trazidos à força da África para o Brasil.

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Pelo Cais do Valongo, segundo estudos, entraram 1 milhão de escravos, entre os séculos 16 e 19. O piso original, construído em 1811, havia sido soterrado por uma obra realizada décadas depois, em 1843, quando o local passou a se chamar Cais da Imperatriz, e só há poucos anos foi redescoberto.

O antropólogo Milton Guran foi o representante brasileiro no comitê científico internacional no projeto Rota dos Escravos da Unesco, encarregado de coordenar o grupo de trabalho que elaborou o dossiê de candidatura do Valongo como patrimônio mundial. Segundo ele, agora é necessário garantir tanto a preservação do cais quanto a construção do museu da escravidão negra, em um prédio ao lado.

“O Valongo é o mais importante sítio de memória da diáspora africana no mundo. Cerca de 1 milhão de africanos entraram por aqui. Ao lado temos a Docas Pedro II, o primeiro grande prédio público construído no país sem mão de obra escrava. O Estado brasileiro deve a sua matriz africana um museu nacional, que reconte a história, dê visibilidade, produza conhecimento e promova a inclusão social e a reparação. Um museu à altura da força da matriz africana para esta nação”, disse Guran, que participou de cerimônia para comemorar o título.

Para o jornalista e ativista negro Rubem Confete, o reconhecimento do Valongo pela Unesco dá visibilidade à luta e à presença negra no Brasil, que deve ser reforçada com a criação de um museu sobre a presença africana.

“Ao longo desses 400 anos, nós chegamos aqui e nunca tivemos reconhecimento de nada, não tivemos apoio. Depois de uma longa luta histórica, conseguimos o reconhecimento deste espaço. Nós vamos trabalhar a reparação e a lembrança dos muitos que passaram por aqui. A construção do museu é para nós próprios contarmos a nossa história”, afirmou Confete.

A superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Rio de Janeiro, Mônica da Costa, considerou o reconhecimento do Valongo pela Unesco uma grande vitória para o país. “Estamos envolvidos nesse projeto há cerca de quatro anos. É importante o resgate de um período obscuro da nossa história. Queremos um centro de referência da memória do Valongo, com a proposta de se trabalhar os achados arqueológicos feitos neste local, para estarem em exposição. Precisamos de um museu no prédio das Docas Pedro II, tombado pelo Iphan no ano passado, um espaço construído pelo engenheiro negro André Rebouças. É um museu que terá a participação da comunidade negra.”

Fernando Frazão/Agência Brasil

A ideia da criação do museu está sendo debatida pela prefeitura do Rio de Janeiro, com a previsão de sair do papel até o fim do mandato de Marcello Crivella, segundo o conselheiro municipal de Cultura Eduardo Nascimento.

“A gente tem um projeto do Museu da Escravidão à Liberdade, que é um nome provisório, que será um centro de referência de todo o acervo da cultura afrodescendente do Rio de Janeiro. Temos feito um trabalho sob a perspectiva da sustentabilidade, que ganha muito mais força com o Cais do Valongo recebendo o título de Patrimônio Cultural da Humanidade. Estamos pensando em parcerias público-privadas e intercâmbio com entidades internacionais. Nós temos os próximos três anos e meio para desenvolver o projeto.”

Reconhecimento
O título da Unesco não se traduz em benefícios financeiros diretos, mas coloca o Cais do Valongo no mesmo patamar de importância histórica de outros patrimônios mundiais mais conhecidos, como o Campo de Concentração de Auschwitz, na Alemanha; e a cidade de Hiroshima, no Japão, que foram reconhecidos como locais de memória e sofrimento da humanidade.

O Brasil recebeu cerca de 4 milhões de escravos nos mais de três séculos de regime escravagista, o que equivale a 40% de todos os africanos que chegaram vivos às Américas entre os séculos 16 e 19. Destes, aproximadamente 60% entraram pelo Rio de Janeiro, sendo que cerca de 1 milhão deles pelo Cais do Valongo. Com Agência Brasil

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