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Nas juntas!

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Inventaram, no Japão, um aparelho capaz de rejuvenescer completamente a pele. Parece até coisa de filme de ficção científica. E o uso do aparelho não é complicado. A pessoa tem que usá-lo religiosamente no mínimo oito horas por dia durante seis meses, o que pode ser feito durante o sono. Trata-se de um invólucro que cobre toda a região da face e do pescoço, com saída de ar próximo às narinas. Apesar de ser bastante incômodo, é indolor e não causa vermelhidão ou qualquer  irritação na pele. Estão ainda desenvolvendo o formato para membros e tronco, e acredita-se que muito em breve esse novo formato também estará no mercado.

Os efeitos são incríveis. Milagrosos mesmo! De forma invisível e gradual, rugas, marcas de expressão, manchas de sol e qualquer marca da idade vão desaparecendo. A pessoa vai rejuvenescendo aos poucos e, exatamente no prazo determinado, está com pele de pêssego. Lisinha e linda! E nova! E o melhor, sem aparência plastificada. O efeito é totalmente natural.

O aparelho não é barato, mas também não tem um preço inacessível. Está sendo vendido na faixa de oito mil reais. Acaba de chegar no Brasil. Há representantes que estão vendendo-o por meio de consórcio ou financiado com juros compatíveis aos de mercado. O ruim é que o efeito dele só vale para o tratamento de uma pessoa e uma única vez. Depois dos seis meses de uso, ele não tem mais utilidade. Uma pena, pois não tem como um grupo de pessoas comprarem-no para dividi-lo. Ainda assim, o resultado compensa. É um investimento e tanto. Quem já usou está dizendo maravilhas sobre os resultados. E com razão.

O que se comenta é que, com a invenção desse aparelho fantástico, todos os problemas, principalmente das mulheres, irão acabar. Elas não precisarão mais ver as marcas do tempo em si! Não sofrerão mais com a descoberta infeliz de cada nova ruga. E não terão mais que ficar se enchendo de produtos caros que prometem, mas não funcionam.  Que maravilha, meu Deus! Viveremos num mundo  de mulheres mais felizes!

Ah! Se a felicidade fosse depender apenas desse aparelho! Todos estariam para sempre infelizes.  A não ser que ele existisse de verdade e não fosse apenas produto de divagações de alguém à procura de assuntos para crônicas em uma noite de insônia atormentada por pernilongos numa cidade em que  a população clama por chuva e por uma solução para a falta de água que castiga cada vez mais.

Quisera Deus que os problemas decorrentes do envelhecimento se resumissem apenas ao estético! Seria tudo tão mais simples! E mais fácil.  Isso, sim, seria maravilha de verdade.

Muito tem se falado sobre a longevidade. Na mídia toda, proclama-se o aumento da expectativa de vida com uma conquista gloriosa para nossos tempos. As pessoas estão vivendo muito mais  e com mais qualidade de vida. Que estão vivendo mais é fato. Mas será que, para a maioria, está mesmo havendo mais qualidade de vida? Eu, que desconfio de muita coisa que ouço por aí, tenho cá minhas dúvidas.

Digo isso porque, com as pessoas vivendo mais, têm mais tempo de ter doenças ligadas ao envelhecimento, e muitas dessas doenças são cruéis. As pessoas vivem mais, mas sofrendo com doenças, além de sofrerem com as limitações que vêm com a idade. Para minha surpresa, ao procurar informações antes de escrever este texto, vi que uma pesquisa feita em 2013 pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP – USP) constatou que os idosos estão vivendo com menor qualidade de vida, pois convivem por mais tempo com doenças crônicas típicas de sua faixa etária.

Você pode me dizer que, hoje, em comparação a  décadas atrás, é possível viver com muito mais qualidade de vida  devido aos avanços na medicina e nos medicamentos, às melhores condições de saúde da população, e irei concordar com você. Você pode citar várias pessoas, principalmente da televisão ou do cinema internacional (ou até mesmo aquela mãe do seu amigo), que estão maravilhosas e saudáveis aos setenta/oitenta anos de idade. Eu também posso citar  pessoas assim. Mas o que eu questiono é se isso vale para a maioria da população. O que estou buscando é refletir sobre isso, não afirmar nada categoricamente.

Recorrentemente, tenho refletido sobre a velhice. Um dos motivos talvez seja porque já entrei de vez na idade madura (Oh! Isso ainda é um pouco difícil pra mim! Mas estou evoluindo nisso, juro!).  Gostaria até de  mudar de opinião, mas, a meu ver, envelhecer não é bom. Não mesmo.

Não faz muito tempo, lendo um livro de crônicas do escritor João Ubaldo Ribeiro, falecido em julho passado, deparei-me com uma intitulada “As alegrias da velhice”. Fiquei toda interessada devido às minhas reflexões, esperando que o escritor, um homem culto, experiente e velho (estou dispensando eufemismos aqui porque ele próprio criticou-os no texto), fosse me dizer coisas animadoras,  bonitas e reconfortantes sobre essa fase da vida. Que nada! Em vez disso, ele ataca sem dó a velhice, narrando, com muito bom humor e sem lamentação,  agruras de ser velho, citando e concordando com Jorge Amado, que lhe disse  “já me falaram muito das alegrias da velhice, mas ainda não me apresentaram a nenhuma…  não importa o que lhe digam, a gente não aprende nada com a velhice; a única coisa que a gente aprende com a velhice é que velhice é uma merda”. Oh! Meu Deus! A “coisa” não tem jeito, não!

Ri com a crônica do João e gostei dela! Ele não quis mascarar nada, foi sincero e tratou o assunto com bom humor. E me parece bem o que é mesmo. Isso sem nem mencionar a parte do envelhecimento físico, ligado à estética, de que o aparelho fictício deste texto trataria.

Não pensem que eu ache que as pessoas deveriam voltar a morrer mais cedo, considerando que isso evitaria os problemas decorrentes do envelhecimento. Longe de mim isso! A maioria das pessoas tem muito amor pela vida e gostaria de viver o máximo possível. E há muitas pessoas que estão muito bem, em plena atividade, na casa dos oitenta, noventa anos. Não fiquem chateados comigo. Faço apenas algumas reflexões sobre uma ideia que me parece ser do senso comum.

Numa tentativa de encerrar de modo leve estas minhas impressões e talvez reparar, se é que há algo a reparar, o fato de o aparelho rejuvenescedor ter sido apenas uma invencionice, vou oportunamente transcrever outra coisa sábia dita pelo João, ainda no mesmo texto:  “a velhice não está na mente, está nas juntas”. Tem jeito pra isso?

Carmélia Cândida

A crônica Alegrias da velhice, de João Ubaldo Ribeiro, integra o livro O Rei da Noite (Objetiva, 2008).  Para acessá-la, clique AQUI

3 comentários

  1. Me identifiquei completamente com seu texto, Carmélia. São os questionamentos que tenho feito, a partir do dia que fiz 40 anos. Nossa! Como o tempo passa! Você expressou o real sentimento que temos em relação a velhice. Não é só estética, mas a vitalidade que vamos perdendo. Me senti melhor só de saber que não estou sozinha nas minhas divagações. Parabéns, por mais essa crônica maravilhosa!

  2. Texto excelente! Eu nunca tinha lido nada sobre o envelhecimento nessa perspectiva. Bela reflexão! E achei que o tal aparelho realmente existia…

  3. Ótimo!!!!!

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