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Sonha, coração

Por Ana Cláudia Saldanha

Quantos sonhos temos para serem realizados antes do suspiro final? Não há nada de triste nesta pergunta. Há sim, um dedo de realismo e uma dose maior ainda de vontade de viver e principalmente de viver de verdade. Já passei por um “quase” e na época conclui que era muito importante uma mesa grande pra receber os amigos.

Conversando com o um amigo sobre este assunto, falamos sobre o filme “Antes de Partir”, com os atores Morgan Freeman e Jach Nicholson, que pretendo assistir ainda. E fiquei com nossa conversa ecoando até este texto.

Esta época de tanta correria, não deixa tempo para sonhos. E vivemos atropeladamente. Quando damos por nós estamos amarrados em compromissos infindáveis que muito pouco respondem à nossa felicidade e prazer.

A maioria dos meus amigos sonha com a aposentadoria. E nem um deles se vê naquela figura estereotipada do aposentado: chinelo, pijama e dores. Todos eles que desejam aposentar têm projetos à espera deste tempo. São pessoas altamente atuantes, pensantes que desejam usar o tempo da maturidade com inteligência e qualidade. É claro que para este novo cidadão, o Brasil precisa se preparar, afinal, o Brasil já não é o país jovem de antes e agora precisa pensar com vista nesta sua nova alma. O aposentado de hoje deseja viver seus sonhos que não são poucos, sonhados em anos de labuta.

Mas, acompanhando estes sonhos gestados durante o tempo do trabalho, há também uma ansiedade de realizar hoje mesmo alguns. Talvez a consciência existencial seja a verdadeira culpada pela pressa quando a todo tempo descobrimos que o amanhã é impreciso.

Dizer que sonhamos com um mundo em paz é muito grandioso, sem dúvida, mas não é real. Estou falando de sonhos particulares: uma viagem, por exemplo. Em 2008, publiquei um sonho que tinha, quase inconfessável. Não pelo sonho em si, mas pela interpretação equivocada que ele poderia suscitar. Veja, meu leitor, sonhava dançar com Ferreira Gullar a música “Borbulhas de Amor” no salão nobre da Academia Brasileira de Letras. A versão da letra em Português foi escrita pelo poeta e é interpretada por Fagner. Depois da dança poderíamos tomar um vinho ao som da “Sonata ao Luar” de Beethoven e ainda tristesse de Chopin, seguida do Largo de Haendel. Estou criando minha trilha sonora! Então, para completar, ouvir “Melodia sentimental” de Villa-Lobos.

É um sonho e qualquer, qualquer pessoa diria que se trata muito mais de loucura do que de sonho. Mas os “loucos”, afinal, também sonham e desta forma é pura coerência.

Depois deste êxtase com o Grande Poeta, eu correria as ruas do Rio de Janeiro, nas avenidas beira mar, ouvindo “Cadetral” cantada por Zélia Duncan.

É aí que a literatura e o sonho dão as mãos. E, se é impossível, podem, pelo menos, ganhar forma no desenho das palavras. Eis a salvação dos “loucos” e dos poetas!

Eu também desejo aposentar para ficar por conta das letras; lendo e escrevendo. Enquanto isto, descubro modos de fingir que estou aposentada e vou lendo, escrevendo, vivendo, amando no tempo já agora.

Fazer uma boa lista de sonhos é uma boa forma de esperar, afinal: “Sonha coração, não te enchas de amargura”.

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