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Intensamente

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“O que você viveu ninguém rouba.” Deparei-me com essa frase, atribuída a Gabriel García Márquez, e pensei: Putz!!! Que incrível isso!!! Você pode dizer que o teor da frase é muito simples ou mesmo óbvio. E é. Ainda assim, é incrível. Porque é a mais pura verdade! E porque, em meio ao grande número de coisas que nos ocupam/consomem, podemos não nos dar conta disso. “O que você viveu ninguém rouba.” É simples. Mas você já parou para pensar nisso? Eu já parei? Ou, melhor dizendo, você já levou isso a sério e procurou viver com base nisso?  Eu estou conseguindo levar isso a sério de verdade e viver com base nisso?

Em uma viagem que fiz, um turista e eu estávamos conversando sobre o prazer que é viajar. Ele me disse que viaja muito, o máximo que pode. E comentou que, na Europa, as pessoas viajam mais porque viagem está entre as prioridades delas, sendo mais importante, por exemplo, que trocar o carro, reformar a casa, adquirir bens que não os verdadeiramente imprescindíveis. Disse que, no Brasil, a cultura é diferente, de modo geral, viagem não é considerada prioridade, mas artigo supérfluo ou mesmo de luxo. Achei interessante o que ele disse. É verdade. No Brasil, a maioria das pessoas que viaja só viaja quando diversas outras prioridades foram atendidas, e não veem o viajar como bem necessário, mas como algo para fazer “quando der”.

Bem disse o Quintana (se é que foi ele mesmo quem disse, não consegui confirmar) que “viajar é trocar a roupa da alma”. E como é! Depois de uma viagem boa, nos sentimos renovados. A gente volta leve, feliz. E cheio de boas lembranças! Eu volto! Viajar é fascinante. E mais fascinante ainda é viajar para um lugar pela primeira vez. Como podem existir pessoas que viajam todos os anos para um mesmo lugar? A descoberta de cada nova paisagem, a sensação da primeira vez, que obviamente nunca se repetirá, são in-des-cri-tí-veis.

Há pessoas com situação financeira muito boa, que ganham bastante dinheiro, e viajam muito pouco. Além de trabalharem muito e dedicarem pouco tempo ao lazer, parecem sentir mais prazer em acumular bens do que em viajar. Vão acumulando, acumulando.  Cada um tem sua escala de valores, suas ideias e seu jeito de viver a vida. E há quem não aprecie viajar. Se essas pessoas não viajam por não gostam, vá lá. Mas muitas não viajam porque acham que há coisas bem mais importantes a fazer, como ganhar e acumular dinheiro. Eu, apesar de não ter nada com isso, acho um desperdício o que pessoas assim fazem. Desperdício da oportunidade de aproveitar coisas boas da vida. Ah! Se eu fosse eu! Viajaria o Brasil e o mundo! E não haveria muito tempo entre uma viagem e outra.

Quando li a frase, pensei logo em viagens. Mas pensei também em outras experiências que vivenciamos e que nos trazem felicidade, paz, realização e bem-estar. Ainda bem que essas experiências podem ser muitas. E muitas delas nem envolvem dinheiro. Um encontro romântico, um jantar especial, uma festa inesquecível, a sensação de estar num palco, o nascimento dos filhos, o dia do casamento, a adrenalina de descer num toboágua gigante, um passeio, as emoções proporcionadas por um espetáculo de teatro ou por aquele show com que você sonhou tanto (e pagou uma fortuna) para assistir, uma noite tórrida de sexo, a vibração do torcedor de estar num estádio presenciando a vitória do seu time de coração, um encontro com os amigos, os momentos ao lado daqueles que amamos, um abraço que vem quando mais precisamos. A lista pode ser imensa e inclui aquelas experiências que tivemos e até gostaríamos de contar para todo o mundo tão agradável é o sentimento que elas nos trazem, mas não contamos porque não devemos.

“Nós sempre teremos Paris!”, diz Rick ao se despedir de Ilsa nas cenas finais do filme Casablanca (1942), considerado um dos melhores de todos os tempos. Os dois haviam vivido um caso de amor em Paris, se reencontraram em Casablanca, mas não ficariam juntos. Ela pergunta para ele, transbordando sentimento “E nós?” e obtém a resposta que se tornou uma das mais célebres frases do cinema mundial. Tão lindo isso! Você pode dizer agora que estou falando que é lindo porque sou romântica. E não posso discordar de você. Não totalmente.  É que um pouco de romantismo me encanta sem eu querer, embora eu saiba muito bem que o ideal romântico tem um bocado grande de ilusão, e ilusão não tem me apetecido ultimamente. Mas o que sempre me encantou nessa frase, principalmente, é a propriedade de ela traduzir muito bem o fato de ninguém tirar de você o que você viveu, seja o que for.  Isso é realmente bonito!

Todos vivemos, também, experiências ruins que não queremos guardar. Estas, nós mesmos queremos tirar  de nós e mandá-las para as profundezas do esquecimento. Nem sempre podemos esquecê-las completamente, mas não vamos ficar relembrando-as como relembramos episódios agradáveis. E nos ajuda nossa memória ser seletiva. Segundo a psicologia, temos mais facilidade para guardar fatos agradáveis e esconder, em cantos obscuros da mente, episódios traumatizantes.

Ao que escolhemos guardar, ainda juntamos um pouco de fantasia, essa dona matreira que sempre nos acompanha em tudo. Disse o Bartolomeu Campos de Queirós, com sabedoria, que “não existe uma memória pura, toda memória é ficcional. É um pedaço da memória com mais um pedaço da fantasia. A fantasia é o que temos de mais real dentro de nós…” Pensando assim, o que vivemos pode ficar ainda melhor do que o vivido.

Parece mesmo que é assim. E sempre será. Será? E eu acho é bom!

Segundo pesquisei, a frase O que você viveu ninguém rouba é, sim, do escritor Gabriel García Márquez (1928-2014), está no livro  Memórias de Minhas Putas Tristes (Record, 2005).

Carmélia Cândida

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