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Teatro José Aparecido de Oliveira e reinaugurado na Biblioteca Pública Estadual

Omar Freire/Imprensa MG

A cena cultura da capital e de toda Minas Gerais ganha mais um presente. O Teatro José Aparecido de Oliveira teve sua infraestrutura toda renovada e foi reinaugurado na noite de quinta (5). O espaço funciona nas instalações da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais, no Circuito Liberdade.

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As comemorações foram encabeçadas pela presença da escritora mineira Conceição Evaristo. Na ocasião, a autora recebeu o Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura 2017 na categoria conjunto da obra e participou de um bate papo com público.

O evento também contou com a participação da escritora gaúcha Ana Cláudia Costa dos Santos, vencedora do prêmio na categoria poesia, com o trabalho “Fabulário”. Performances literárias do grupo Preta Poeta, formado por jovens mulheres negras, emocionaram o público com leituras de trechos da obra de Conceição Evaristo.

Com patrocínio da Copasa, o teatro passou por uma série de melhorias para atender melhor público e artistas. Entre elas destacam-se a renovação integral do sistema de ar-condicionado, iluminação e sonorização novas, a inclusão de carpete não-inflamável, reforma integral dos camarins, melhorias no piso e em toda a acústica do local.

A plateia agora conta com cadeiras acessíveis a todos os públicos. Inaugurado em 2004, no ano do cinquentenário da Biblioteca, o Teatro José Aparecido de Oliveira recebeu, ao longo desses 14 anos de existência, mais de 100 mil pessoas. Abrigou centenas de espetáculos, shows e outras manifestações artísticas.

O secretário de Estado de Cultura, Angelo Oswaldo, enalteceu a importância do Teatro José Aparecido de Oliveira para a vida cultural dos mineiros. “O teatro da biblioteca unifica as expressões artísticas que fazem parte deste equipamento cultural. Este é um momento muito gratificante, pois vemos a sala revitalizada com todos seus recursos aprimorados a fim de que ela continue a desempenhar seu papel essencial na vida atividade cultural do estado”, pontuou Angelo.

O secretário de Cultura ainda acrescentou que a Biblioteca Pública Estadual é um dos equipamentos culturais mais visitados do estado, o que demonstra a relevância que ela tem para a população. “Estamos chegando a quase 400 mil usuários por ano. Temos leitores de todos as idades e vertentes que visitam o local, começando pela biblioteca infantojuvenil, que está sempre repleta de crianças, passando pelo setor braile, que possui um número expressivo de usuários”, explicou Angelo.

Para o superintendente de Bibliotecas Públicas e Suplemento Literário, Lucas Guimaraens, a convergência de diversas artes em uma biblioteca pública é uma tendência no mundo contemporâneo.

“Uma biblioteca pública não pode mais ser concebida como repositório de livros e memórias apenas. A biblioteca tende, no mundo ocidental, a se tornar um local de convívio e de transversalidades artísticas, culturais e sociais. Assim, a reinauguração desse teatro permite que a Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais tenha o uso de seu espaço ampliado para todas as expressões da sociedade”, pontua Lucas.

A importância do teatro se confunde com a figura que empresta o nome ao espaço. José Aparecido de Oliveira foi um importante político mineiro e teve papel destacado no campo cultural quando se tornou ministro da cultura no governo de transição da ditadura para a democracia, de 1985 a 1988.

Nascido em Conceição do Mato Dentro, José foi um dos fundadores da comunidade dos países de língua portuguesa, secretário particular de Jânio Quadros e o primeiro secretário de Estado de Cultura de Minas Gerais.

Também estiveram presentes durante a cerimônia de reinauguração do teatro a presidente da Copasa, Sinara Meireles, e o presidente SABE, José de Alencar Mayrink.

Prêmio Minas Gerais de Literatura 2017
Uma das principais premiações do gênero no país, o Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura 2017, da Secretaria de Estado de Cultura, colocou ainda mais em voga a voz da mulher na literatura brasileira. Pela primeira vez desde que foi criado, o prêmio contemplou apenas mulheres em todas as suas categorias.

A mineira Conceição Evaristo, nascida no morro do Pindura Saia, em Belo Horizonte, foi a grande vencedora da edição, que de forma inédita contemplou uma escritora negra na categoria Conjunto da Obra.

Autora de uma obra extensa, que inclui prosa e poesia, a belo-horizontina também ficou conhecida pela importância e densidade de seus romances, como “Ponciá Vicêncio” (2003) e “Becos da Memória (2006)”, que trata da complexidade humana e dos sentimentos de quem sofre com o preconceito, a fome e a miséria.

Para a escritora, ter sido premiado em seu estado é motivo de orgulho e reconciliação com suas raízes. “Foi uma surpresa muito grande ter sido contemplado com este prêmio. A minha sensação é de que Minas está se reconciliado comigo e eu me reconciliado com Minas. Me mudei do estado em 1973 para tentar a vida dando aula. Saí daqui com muita dor, deixando família, amigos e fui construir minha vida profissional no Rio de Janeiro. Ter esse reconhecimento em casa é muito especial. É como se Minas me acolhesse novamente”, disse a escritora.

Conceição também tratou do componente social que está por trás de uma mulher negra ser reconhecida pela qualidade de sua literatura e atividade intelectual. “Se existe uma Conceição Evaristo, existem outras mulheres negras que estão escrevendo. Temos que criar o imaginário que as mulheres negras produzem escritas, são intelectuais, pensam. Quero que este meu prêmio e a minha visibilidade sirvam para quebramos a visão cruel que existe a respeito das mulheres negras, que sempre são retratadas com subalternidade”, explicou Conceição.

Na categoria Poesia, a obra vencedora foi “Fabulário”, da gaúcha Ana Cláudia Costa dos Santos, que também esteve presente ao evento. A escritora, que saiu de Porto Alegre e veio prestigiar a cerimônia na capital mineira, enalteceu a representatividade do prêmio.

“Este é o primeiro reconhecimento que recebo por uma obra pronta e inédita. Estou muito feliz, não acreditei quando me comunicaram. Já tinha me inscrito nesta premiação e sempre me pareceu muito difícil ganhar. Esse prêmio traz uma visibilidade muito grande por ser representativo no cenário nacional”, comentou a poeta.

Também foram contempladas a escritora Marana Borges, que venceu na categoria Ficção (Romance) com a obra “Mobiliário para uma fuga em março”. A Jovem Escritora desta edição é Sara Abreu Pinheiro e Silva, que venceu com o projeto “Membro Fantasma”. Na categoria Jovem Escritor, a Comissão Julgadora decidiu também dar menção honrosa para “A Casa dos Amores Loucos”, de autoria de Giovanna Ferreira Silva.

O Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura tem como objetivo divulgar a literatura brasileira, reconhecendo grandes nomes nacionais e abrindo espaço para os jovens escritores mineiros. O edital distribui R$ 258 mil em quatro categorias: Poesia (R$ 30 mil); Ficção (R$ 30 mil); Conjunto da obra (R$ 150 mil); e Jovem Escritor Mineiro (R$ 48 mil). Com Agência Minas

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