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Governo de Minas aposta nos Arranjos Produtivos Locais

O Governo de Minas Gerais está investindo em uma nova política pública de fomento aos Arranjos Produtivos Locais (APL) – conjunto de empresas de um segmento produtivo, localizadas na mesma região, trabalhando de forma cooperada e sinérgica.

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Na prática, o Governo quer que mais empresas tomem conhecimento das vantagens de ser tornar um Arranjo Produtivo Local, tendo como foco o fortalecimento e ordenamento da economia local.

Responsável pelo reconhecimento dos APLs em Minas Gerais, a Secretaria Extraordinária de Desenvolvimento Integrado e Fóruns Regionais (Seedif) quer incentivar a diversificação produtiva e o fortalecimento dos diferentes segmentos econômicos nos 17 territórios de desenvolvimento.

O objetivo do projeto é não apenas reconhecer os APLs, mas também fomentar o nascimento de novas empresas dentro da lógica de Arranjo Produtivo Local. O incentivo representa o esforço do Estado em planejar e investir em melhorias, como obras de infraestrutura e escoamento da produção.

“Minas Gerais possui vários aglomerados de empresas com grande possibilidade de serem reconhecidos como APL, desde setores menos estruturados até outros mais organizados”, afirma o secretário da Seedif, Fábio Cherem.

Para dar representatividade aos diferentes grupos com vocações para APLs, o Estado pretende instituir ações articuladas com parceiros, como a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Câmaras dos Dirigentes Lojistas (CDLs), Sebrae e Associações Comerciais, visando ao fortalecimento dessas empresas e à geração de emprego.

Hoje Minas Gerais possui 38 Arranjos Produtivos Locais reconhecidos pelo Governo do Estado. Um dos casos de sucesso no setor é o APL de lingerie na cidade de Juruaia, no Sudoeste do estado. A iniciativa transformou o município de 10 mil habitantes na capital mineira do lingerie, e o terceiro maior polo de produção do país.

De acordo com a Associação Comercial e Industrial de Juruaia (Aciju), são cerca de 250 confecções instaladas na cidade, que geram cerca de 8 mil empregos, movimentando o mercado de trabalho local e dos municípios do entorno.

As vendas do setor chegam a aproximadamente 1,5 milhão de peças por mês e o faturamento gira em torno de R$ 15 milhões. O APL de lingerie, que responde por 60% do Produto Interno Bruto (PIB) do município, produz anualmente cerca de 20 milhões de peças.

O segmento gera lucro para quem fabrica e também para quem revende. As grandes oportunidades de negócios estão nas feiras que atraem compradores do Brasil inteiro e de países como Holanda, Portugal, Argentina, Alemanha, Canadá e Austrália.

“Buscamos sempre inovar e nos destacar na moda íntima do país. Fomos descobertos e hoje todos sabem que nossos produtos têm design diferenciado e um bom preço aliado à qualidade”, destaca Tânia Mara Rezende, presidente da Aciju.

Sucesso e união
Outro APL que se sobressai é o Arranjo Produtivo Eletroeletrônico de Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas Gerais. Este APL reúne três instituições de ensino e 153 empresas que desenvolvem produtos inovadores, voltados para os setores eletroeletrônico, de telecomunicações, segurança, informática, automação industrial e tecnologia da informação.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica (Sindvel), Roberto de Souza Pinto, ressalta a importância do ambiente de cooperação existente no APL para o fortalecimento dos empreendimentos de pequeno, médio e grande porte. Segundo ele, é dentro do Arranjo Produtivo que as empresas encontram parceiros para pesquisa, desenvolvimento de produtos e produção.

“Quando uma incubadora cria determinado produto e não tem recurso para produzir, então ela pode buscar outras empresas dentro do APL para fazer isso”, explica Roberto.

A troca de conhecimento e tecnologia, de acordo com o presidente do Sindvel, aumenta a competitividade do setor, facilitando a inserção dos produtos no mercado, de forma mais rápida.

O APL Eletroeletrônico projetou Santa Rita de Sapucaí no cenário tecnológico nacional e internacional, levando o município a ser conhecido como Vale da Eletrônica. Atualmente, o polo gera cerca de 14 mil empregos diretos e indiretos, exporta para mais de 40 países e movimenta em torno de R$ 3 bilhões por ano.

Polo moveleiro
O setor moveleiro de Ubá, no Território Mata, também se fortaleceu por meio do Arranjo Produtivo Local. Segundo Heliane Martins, diretora Executiva do Sindicato Intermunicipal das Indústrias do Mobiliário de Ubá (Intersind), a partir da instituição do APL as indústrias passaram a trabalhar de forma planejada e estratégica.

O principal polo moveleiro do estado ainda se beneficiou das linhas de crédito específicas paro os APLs. Além disso, Heliane relata que a integração permitiu o aprimoramento dos empreendedores com treinamento, cursos, seminários e workshops sobre, por exemplo, análise financeira, perspectiva de mercado, processo produtivo, inovação e tendências.

“O APL é um catalisador de esforços e a cooperação fortalece as empresas”, observa a diretora Executiva do Intersind.

O Arranjo Produtivo das Indústrias de Mobiliário do município de Ubá agrega 350 fábricas de móveis residenciais e de escritório. O setor, que emprega mais de 18 mil trabalhadores, produziu cerca de 28 milhões de peças, em 2015, 45,2% da produção no estado.

Vantagem competitiva
Com a produção organizada a partir de regiões, a estruturação do APL não só cria uma identidade para o grupo de empresas mas também propicia uma série de benefícios. O segmento passa a participar de políticas públicas dos governos federal e estadual, desenvolvidas especificamente para os Arranjos Produtivos, como editais de financiamento e linhas de crédito subsidiadas.

De acordo com Fernando Passalio, Coordenador Estadual do Núcleo de APL, o “Arranjo Produtivo Local é uma das ferramentas importantes para o fomento de cadeias produtivas e do desenvolvimento econômico das regiões”.

Com vocação natural para determinado setor e a concentração de empresas em uma mesma região, para se tornar um APL é necessário ter ou criar uma entidade de governança (sindicato, instituição de ensino, prefeitura ou outra entidade representativa do setor) para liderar as ações do grupo.

Aglomerados de empresas de um mesmo setor só se tornam um APL depois de serem certificados pelo Governo do Estado. Para que isso aconteça, é preciso que a entidade de governança solicite uma análise do processo e o reconhecimento do APL.

O pedido da certificação poderá ser feito por ofício direcionado à Secretaria Extraordinária de Desenvolvimento Integrado e Fóruns Regionais, localizada na Cidade Administrativa do Estado de Minas Gerais – Rodovia Papa João Paulo II, 3777. Serra Verde, Belo Horizonte. Também poderá ser enviado por e-mail (fernando.passalio@desenvolvimento.mg.gov.br).

Mais informações pelo telefone: (31) 3915-2901. Com Agência Minas

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