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Não engulo a destruição de livros

livros

Por Flávio Marcus da Silva

Existe uma resolução da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais que dispõe sobre o “desfazimento de livros didáticos fornecidos pelo Programa Nacional do Livro Didático – PNLD” (resolução SEE Nº 2.254, de 10 de janeiro de 2013). Não se trata simplesmente de jogar no lixo ou tocar fogo. Há um procedimento, com etapas, que vão desde a utilização dos livros como apoio pedagógico pela própria escola ou outros estabelecimentos, até chegar à doação a instituições habilitadas para descarte, normalmente associações de catadores de materiais recicláveis.

Realmente é preciso decidir o fim a ser dado a toneladas de livros didáticos vencidos (o prazo de validade é de três anos) produzidos com o dinheiro do contribuinte. O problema, a meu ver, é que há fortes indícios de que a resolução não é seguida corretamente pelas escolas (ou parte delas), porque dá trabalho: elaboração de uma listagem preliminar de livros, com identificação, data, quantitativo e estado de conservação de cada obra; discussão da listagem em reunião de Colegiado, para avaliação dos livros; determinação do destino dos livros, feita pelo Colegiado; descaracterização do material destinado à reciclagem, etc. – tudo isso está previsto na resolução e deve ser documentado pela escola.

Digo que há fortes indícios de que esse procedimento não é seguido corretamente porque recentemente uma escola da minha cidade doou livros vencidos à associação dos catadores de materiais recicláveis sem descaracterizá-los, ou seja, sem retirar sua capa, o que chamou a atenção de alguns cidadãos no local, que ficaram horrorizados com o que lhes pareceu um descaso das autoridades para com o bem comum, já que havia livros ali que poderiam ser utilizados por muita gente, inclusive livros de Inglês (com CD) em perfeito estado de conservação, ainda embrulhados no pacote em que chegaram à escola. Tive acesso a fotos e relatos de testemunhas, e descobri, em consulta à internet, que havia livros no monte destinado à destruição que valem hoje mais de R$100,00 cada um. Cheguei a folhear alguns de Filosofia e História. Excelentes! Não entendo por que só valem por três anos. Eu sei que as ciências mudam, que o saber fica ultrapassado e bla, bla, bla, mas destruir livros de Inglês que nem foram utilizados e um material excelente de História e Filosofia só porque têm mais de três anos? Ridículo. E num país de analfabetos funcionais isso é ainda mais grave.

Não vou entrar na discussão sobre se existem editoras, gráficas e políticos corruptos ganhando muito dinheiro com esses livros lá em cima, à custa do contribuinte. Só vou questionar o seguinte: será que todas as escolas do estado seguem rigorosamente o procedimento descrito na resolução 2.254? Não deveriam as superintendências regionais de ensino dar mais atenção a isso, para evitar desleixos e abusos?

Estamos falando de livros, leitura e conhecimento num país marcado profundamente pela ignorância e pelo baixo nível de sua educação…

Não engulo a destruição de livros. Não consigo.

Veja AQUI a Resolução SEE Nº 2.254, de 10 de janeiro de 2013

2 comentários

  1. marcio guimaraes barbosa

    Flávio,
    Este era o país do PT, agora será do PMDB e daqui a pouco do PSDB. Tudo gente boa, entre pseudo-socialistas,malandros, ladrões, coxinhas e a elite. Todos ganharam e vão continuar ganhando. Daqui a pouco sairão as novas concorrências públicas com as velhas e novas empresas editoras de sempre. Todos coniventes, governos, estados e prefeituras, afina,l todos precisam continuar ganhando, ou roubando se assim preferir. Jogar livros no lixo é só um detalhe final e fatal, como se fosse aquela velha desculpa de que a culpa foi do office-boy que fez isto por engano. Como disse Fernand Braudel, “o capital se tornou verdadeiramente forte quando aliou-se ao estado”, e desde longa data.

  2. jeanne menezes

    Eu não sei se pode, mas que tal doar para os alunos ao final do terceiro ano em que o livro foi usado? Muitas crianças ainda não dispõem de acesso a internet e poderiam usar o livro nos anos seguintes para pesquisa, para recortes, para concluir tarefas que porventura não foram trabalhadas no ano em que usaram o livro em sala. Há outras alternativas! Basta pensar um pouco!

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