Banner Águas de Pará de Minas   Prefeitura de Pará de Minas

As tristezas mais queridas

mjjammjWave, de Tom Jobim, é uma das músicas mais bonitas que conheço. É de uma beleza tão grande – e triste – que, não raro quando a ouço, costumo ir às lágrimas.  Ela  provoca  em mim uma tristeza feliz, me deixa  tranquila,  e terna. Outras músicas despertam-me emoções parecidas, emoções “de sentir” (eu, sei, emoções só podem ser de sentir, acho que eu quero dizer que me tocam no fundo da alma). Sonata ao Luar, de Beethoven; Ave Maria, de Bach/Gounod ou de Schubert (as duas versões são lindíssimas);  Bachianas Brasileiras nº 5, de Heitor Villa Lobos; não tocam apenas meus ouvidos, mas vão me inundando por inteiro, tomando conta de cada parte minha e fazendo transbordarem sentimentos. Como é possível alguém fazer combinações de sons tão harmoniosos?

O Rubem Alves tem uma uma história linda de que gosto muito (e que já tive o prazer de contar) chamada “O Decreto da Alegria*”. É sobre um rei de coração bom, porque desejava que todas as pessoas de seu reino fossem alegres, mas de coração tolo, porque acreditava que os desejos do coração poderiam ser satisfeitos por meio de decretos. Ele baixa um decreto determinando que todas as pessoas do reino sejam alegres e  proibindo todas as tristezas. Mas acontece que nem todos do reino querem abrir mão de suas tristezas e, claro, as coisas não saem como o rei espera. A história fala sobre “tristezas queridas” e sobre a inevitabilidade do que é triste, mostrando que a vida é uma mistura de alegrias e de tristezas e que as tristezas, portanto, fazem parte da vida, da condição humana, sendo, também, necessárias. E, entre as tristezas queridas, aquelas que fazem bem senti-las, estão as provocadas por músicas, poemas, pinturas, filmes, peças de teatro,  fotografias, lembranças, pores-do-sol…
Está certo que essas tristezas queridas nem são tão tristes, de verdade.  Eu tenho muitas delas.  Quero-as comigo. Como a provocada pelas músicas que já citei. Ah! E as cenas de filmes? Tenho preferência pelas tristes, poéticas e românticas. Há pouco tempo, passei a colecioná-las para revê-las sempre que quiser. Choro toda vez que vejo a cena de Rebekah Del Rio cantando (a música, novamente), a capela, Llorando (versão de Crying, de Roy Orbinson), no Clube Silêncio, em Cidade dos Sonhos (Mulholland Drive, 2001). É tão doído, intenso, tão belo… Choro também quando revejo o trailer do filme francês Amor (Amour, 2012), com Sonata ao luar ao fundo em um trecho (é demais pra mim) e revivo emoções do filme. A dor dos personagens, e tudo tão claro apenas por suas expressões…  Da mesma forma acontece com o sensível  Poesia (Shi, 2010),  filme sul-coreano cuja personagem principal, uma doce e cativante senhora de 66 anos, mergulha no mundo da poesia ao mesmo tempo que enfrenta uma realidade dura e cruel.  E ainda tem um “clipe” que tenho de Crash – No Limite (Crash, 2005), com imagens do filme e a linda canção “In the Deep”, na voz de Bird York. E as cenas finais de  de Casablanca… “Nós sempre teremos Paris.” É beleza demais!
Também tenho guardados poemas “para quando quiser me emocionar” (e como é bom!) “Orfandade”, de Adélia Prado (alguém consegue resistir a esse poema?);  “Para sempre”, do Drummond; “Poema triste”, do Quintana. E amo ler um conto, crônica ou qualquer texto que me desperte emoções. (Quer experimentar um? Leia [ou releia] “A última crônica”, do Fernando Sabino. Quanta simplicidade e sensibilidade, carregadas de afeto e ternura!). Assim como assistir a peças de teatro que me toquem, ver fotografias ou deixar memórias aflorarem…
É grande o poder que a arte pode exercer sobre nós. É maravilhosa a poesia que há na vida, no mundo; apesar de o mundo ser tão complicado e do tanto que é difícil viver. É preciso “olhos de sentir”.
Ainda bem que existem a música, o cinema, o teatro, a literatura, a pintura. A ARTE, enfim. Para amenizar as agruras da vida. Que bom que existe beleza onde também existe caos.
*O decreto da alegria. [Ilustrações Luiz Maia]. São Paulo: Edições Paulus, 2004.

Imagem do filme Poesia (Shi, 2010)

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*

shop giày nữthời trang f5Responsive WordPress Themenha cap 4 nong thongiay cao gotgiay nu 2015mau biet thu deptoc dephouse beautifulgiay the thao nugiay luoi nutạp chí phụ nữhardware resourcesshop giày lườithời trang nam hàn quốcgiày hàn quốcgiày nam 2015shop giày onlineáo sơ mi hàn quốcshop thời trang nam nữdiễn đàn người tiêu dùngdiễn đàn thời tranggiày thể thao nữ hcm