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Ootecas

ootbrtcaEla saiu de trás de um armário. Não era noite. O sol entrava tímido pela janela e esbarrava na cortina estragada da sala. Ela passeou arrogante entre os pés dos móveis. “Vezenquando” ameaçava ganhar os ares balançando suas “asasaias” bailarinas. Meu estômago começou a dar voltas. Na repartição, ninguém viu a barata. Somente eu. A chefe passou batendo os saltos e eu “espereidesejei” que ela escalasse suas pernas. (Realmente não sou santa). Fiquei calada. Ela continuava sua exploração. A chefe saiu da sala, não percebeu a dita e nem meus desejos malignos.

Quando criança, eu convivi com insetos. Formigas, lesmas, abelhas… Não tinha asco, medo, ojeriza, mariquitas, frescuritas, nem nada. Pegava do chinelo e, num átimo, matava qualquer ser deste planeta minúsculo; mas não agora.

Quando crescemos, aprendemos que matar baratas ou seus parentes é coisa de macho. Menina de laço grita só de ver o inseto asqueroso. Mas e a dona baratinha que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha? Não interessa. Melhor não confundir pato de lagoa com o patinho feio. Cada coisa em seu lugar. Frente à barata: menina grita e ponto final.

Mas, ora! A barata ameaçava entrar na gaveta. Imagine… Por ali fazer ninhos de papéis tão importantes. Comer, na surdina das horas, o tempo dos funcionários que pouco ou nada funcionam… Criar colônias, comunidades, guetos, vilas de baratas robustas, famintas… Comer a assinatura do chefe maior e do menor também. Comer o r, o a e depois vomitar ou defecar esta ruindade de nomes que só existem para deixar esta vida tão boa triste.

Coitada da barata! Coitada de mim!

Vive de qualquer maneira.  “Além de conseguir ficar até um mês sem comer nada e semanas sem ingerir água, o inseto ainda é capaz de sobreviver por até outro mês sem a cabeça. É que suas principais estruturas vitais ficam espalhadas pelo abdômen (incluindo as que permitem a respiração) e, caso percam a cabeça (no sentido literal), um gânglio nervoso no tórax passa a coordenar os seus movimentos, permitindo que fujam das ameaças. Como o seu corpo tem um revestimento de células sensíveis à luz, ela ainda pode localizar e correr para as sombras a fim de se proteger. Mas, como todos, inevitavelmente, um dia acaba morrendo.” Informações extras “Super Interessantes” do santo Google. Quer mais?! Esta é de virar o estômago de verdade. Da mesma fonte: “Segundo a Food and Drugs Administration (FDA), o órgão que faz o controle dos alimentos e remédios nos EUA, uma barra de chocolate comum contém, em média, oito resíduos de baratas. (Um pedaço de 100 gramas de chocolate tinha, em média, 60 resquícios de insetos variados em sua composição). O inseto entra em contato com o doce ainda durante a colheita e armazenamento do cacau. E mais: pessoas que têm alergia ao chocolate podem, na verdade, ser alérgicas aos pedacinhos de baratas que ficam no doce. O inseto pode causar reações alérgicas em algumas pessoas como coceira e cãibras, e cortar o chocolate da dieta é justamente um dos tratamentos recomendados a pessoas alérgicas”.

Na sala e no mundo todos continuavam indiferentes.

Notei suas antenas ancestrais.

Foi então que vi um rapaz, um rapazinho, um rapazote passar pela porta. Fiz ares de “ai meu Deus” e apontei para a barata descontraída. Ele nem pensou. Pousou sobre ela um pé gigantesco que por incrível que pareça só fez um carinho de malandro. E ela saiu se sacodindo. Estava mais viva do que eu. Ele ainda pisou nela mais duas vezes até que ela se desfez em secreções e filós.

Que nojo!

Depois deu um golpe de Neymar e saiu com ares de Anderson Silva, ou pavão, sei lá, me deixando salva entre muito obrigada!

Mas o que o mancebo não sabe é que mato baratas sem sustos. No escuro da casa, no vão das caixas, no meio dos papéis, perto do meu marido (ele é mais homem do que macho somente) entre estalidos de gosmas ootecas e ventres. Mato ressuscitando em mim a dor das mulheres selvagens e a coragem também. Eu mato até rato!

Mas preciso deixar que os meninos exerçam seus papéis robóticos. É a sociedade anônima. Não sou eu que vou mudar o mundo.

Eu, sim, vou gritar até explodir os tímpanos! Baratas!!! E viver de rir deste mundo feito de papéis tão ridículos, impensados… Mas que venhamos e convenhamos: é bem cômodo – afinal, não sujei a sola do meu sapato.

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