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Chapeuzinho Vermelho em Londres

Por Flávio Marcus da Silva

Chapeuzinho Vermelho passou a última semana de dezembro pensativa. Embora achasse Papai Noel um grande imbecil, ficou amolada com a sua morte trágica. O acidente… Não foi acidente, claro. As renas revoltadas decidiram se suicidar e levaram Papai Noel com elas. Por quê? Má gestão de renas? Não. Papai Noel agiu corretamente com elas: humilhou-as na frente de duendes azuis, chicoteou-as, ignorou suas ideias, colocou as mais chatas na geladeira, enfim, mostrou a elas que ELE era a única estrela no firmamento, que o grande timoneiro da empresa era ele: Papai Noel. Não deu certo. Por quê? Porque as renas foram doutrinadas por um terrorista afegão anticapitalista, que se infiltrara no rebanho. Isso já foi provado.

Refletindo sobre o caso de Papai Noel e sobre os problemas que ela vinha enfrentando como presidenta da fábrica Doces da Vovó S/A, Chapeuzinho chegou à triste conclusão de que precisava de uma trégua com seus funcionários. Analisava a possibilidade de fingir ser boazinha por um tempo, para ganhar a confiança deles e dos acionistas da empresa. Na última reunião do Conselho ela notou alguns olhares de reprovação. Rumores de mortes misteriosas de funcionários, desaparecimentos de gerentes administrativos e secretárias, suicídios de confeiteiros, dedos humanos achados em sopas… Isso não estava pegando bem. Chapeuzinho precisava reconquistar a confiança dos acionistas e da sua equipe. Mas como? Fingir ser boa menina? Tolerar contestações e boas ideias vindas de gerentes, secretárias e chefes de setores? Elogiar o bom trabalho da equipe? Deixar de eliminar ou de colocar na geladeira elementos rebeldes?

Na noite de Ano Novo, Chapeuzinho teve uma ideia. Voou para a Inglaterra e marcou uma consulta com William Shakespeare, o grande teatrólogo, autor de peças famosas no mundo todo, como Romeu e Julieta, Hamlet e Macbeth. Decidiu ter aulas de teatro para parecer boazinha, e nada melhor do que ser aluna do maior dos maiores.

Shakespeare aceitou treinar Chapeuzinho na difícil arte da encenação, e ainda lhe garantiu que ela poderia continuar fazendo algumas maldades sem atrair atenção para si. Ela adorou.

Chapeuzinho passou o mês de janeiro quase todo na casa de Shakespeare, em Londres, convivendo com ele e sua família, seus atores, amantes e bichos de estimação. Aprendeu muito. No teste final, até ela acreditou que tinha se tornado boazinha. Ficou impressionada.

A partir de fevereiro, os acionistas da Doces da Vovó S/A veriam uma nova Chapeuzinho Vermelho em ação: uma gestora humana, coerente, altruísta, generosa, incapaz de humilhar e diminuir seus funcionários, menos preocupada com planilhas, reuniões e tarefas inúteis, irradiando alegria e amor, quando, na verdade, era a mesma Chapeuzinho de sempre. Ela precisava de um voto de confiança do Conselho e faria esse sacrifício.

“Ser ou não ser, eis a questão”. Para Chapeuzinho, a estratégia era NÃO SER, mas parecer ser…

Um comentário

  1. marcio guimaraes barbosa

    Não sei não, acho que o chapeuzinho esta mais uma vez tentando nos enganar. Talvez com o pretexto de ir encontrar Shakespeare em Londres, na verdade tenha procurado no escondido Jack o Estripador, para aprender “mais algumas formas de crueldade e maldades”. Se estiver por lá e observar esta personagem estranha à cena, Sherlock Holmes talvez nos dê algumas pistas nos próximos capítulos.

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