Banner Águas de Pará de Minas   Banner Facebook

Em documentário, escola aborda o rap para discutir consciência negra com alunos

Arquivo da Escola

“É importante trazer a discussão das relações étnico-raciais para o espaço escolar, pois são questões nem sempre debatidas ou, quando são, passam pela ideia da democracia racial, de que somos todos iguais, esquecendo-se de dizer do reconhecimento da diferença. E nada melhor do que o rap para abordar a consciência negra e outros assuntos relacionados aos grupos minoritários, já que é um gênero musical que nasceu nas comunidades negras dos Estados Unidos”, relata a artista e psicóloga Marina Paula Sacramento, também conhecida como MC Mari P., no documentário ‘A Artista e o Rap no Espaço Escolar’.

Curta a página do Portal GRNEWS no Facebook Siga o Portal GRNEWS no twitter

Dirigido por Weverton Andrade Silva, professor de canto e coral na Escola Estadual Tomé Portes del-Rei, em São João del-Rei, o documentário, desenvolvido com duas turmas de estudantes dos anos iniciais do Ensino Fundamental, é fruto do subprojeto ‘Consciência Negra: uma abordagem pelo Rap’, do projeto de Educação Integral da escola. “As inquietações que motivaram a montagem surgiram de observações durante as aulas, em que vários alunos apresentavam uma postura tímida e baixa autoestima. Então, numa reunião pedagógica, a supervisora sugeriu a temática da consciência negra”, comenta Weverton.

Segundo o professor, a proposta era, principalmente, fazer com que as meninas e meninos negros se sentissem bonitos e valorizados. “Uma aluna apresentava sinais de que não se gostava por ter o cabelo crespo. Então, a Mari P. chegou, toda linda e maravilhosa com seu cabelo colorido, desconstruindo padrões de beleza impostos pela sociedade e transformou a turma. A estudante, depois de alguns dias, começou a se valorizar e a se achar mais bonita”, conta.

Antes de virar documentário, o subprojeto ‘Consciência Negra: uma abordagem pelo Rap’ promoveu, por dois meses, diversas ações com os 326 estudantes, do 1º ao 9º ano, da escola. “Para discutir as relações étnico-raciais, eles foram estimulados a colocar em desenhos as impressões que têm da diferença entre negros e brancos. Também fizemos debates, rodas de conversas, jogos teatrais, músicas, entre outras atividades”, explica Weverton. Interdisciplinar, o projeto foi realizado em parceria com Cleonice de Oliveira e Rosilene Maria Mendonça, regentes de turmas na instituição de ensino.

A artista e psicóloga Mari P. destaca a importância da arte para promover o debate sobre a consciência negra. “A arte, em suas diferentes formas, amplia a visão da educação, que não pode se restringir a algo técnico, teórico, ou seja, tem que estimular o questionamento e não focar apenas em números ou conceitos”, ressalta.

Para a MC, a discussão da consciência negra no espaço escolar por meio do rap também é uma possibilidade de desconstrução dos estigmas que o estilo musical ainda carrega. “Felizmente temos tido uma aceitação maior, mas ainda há um preconceito, um olhar negativo. Apesar de surgir no final dos anos 60, no bairro negro do Bronx, EUA, como uma forma de reivindicação, protesto ao modo como as coisas se apresentavam na época, o rap continua sendo relacionado à criminalidade”, comenta.

Representatividade
A temática da consciência negra já está presente na grade curricular da Escola Estadual Tomé Portes del-Rei. “Durante todo o ano letivo, trabalhamos, dentro e fora da sala de aula, ações que perpassam o tema. O objetivo é educar e fazer com que nossos estudantes sejam cidadãos mais respeitosos e abertos à diferença”, garante a vice-diretora, Denise Maria. No Dia Nacional da Consciência Negra, 20 de novembro, os alunos participam de apresentações musicais, teatrais e de cultura africana, além de bate-papo com representantes de comunidades negras da região.

Ressaltando que o debate sobre a consciência negra extrapola o racismo e a democracia racial, perpassando também pela cultura, música, arte, moda, rituais, entre outros, o professor Weverton Andrade destaca a importância de trazer representantes negros para a escola. “É uma questão de legitimidade e representatividade. Como homem e branco, eu não posso e nem tenho o direito de falar pela mulher e pelo negro, pois eu não vivencio experiências que são peculiares a eles. Levar a MC Mari P., mulher e negra, para dialogar com os estudantes, promove o reconhecimento e empodera nossos alunos”, diz.

A artista reforça o pensamento do professor. “É o falar com a presença. Os alunos precisam ver para se empoderar, para se sentirem representados e capazes”, afirma. Além de discutir vários assuntos relacionados à temática do projeto e do documentário, MC Mari P. também ajudou os estudantes a construírem uma letra de rap. Amanda Silva, 9 anos, cantarolou a música para seus amigos e familiares. “Meus pais são negros e eles adoraram a letra que fizemos na aula de canto e coral. Eles acham muito importante, pois temos que aprender a respeitar todas as pessoas”, conta.

Um dos desafios durante a elaboração do documentário, segundo o professor, foi conseguir relatos dos alunos. “Muitos estavam envergonhados e não quiseram falar com a câmera ligada. Então, elaborei jogos teatrais para criar confiança e sintonia entre eles e a equipe. Tivemos depoimentos mais delicados, mas por respeito e para não os expor, cortamos do filme”, explica.

A iniciativa também contou com a direção, edição, fotografia/capitação de Samuel Gianasi, estudante de Teatro da Universidade Federal de São João del-Rei, sob orientação do professor-doutor, Cláudio Guilarduci. Com Agência Minas

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*

shop giày nữthời trang f5Responsive WordPress Themenha cap 4 nong thongiay cao gotgiay nu 2015mau biet thu deptoc dephouse beautifulgiay the thao nugiay luoi nutạp chí phụ nữhardware resourcesshop giày lườithời trang nam hàn quốcgiày hàn quốcgiày nam 2015shop giày onlineáo sơ mi hàn quốcshop thời trang nam nữdiễn đàn người tiêu dùngdiễn đàn thời tranggiày thể thao nữ hcm