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Ramonzin lança EP “Made in Madureira”

A vida pulsante do subúrbio carioca bate forte em “Made in Madureira”. Primeiro EP do cantor Ramonzin, o álbum traz quatro faixas que sintetizam bem essa atmosfera. Afinal, a memória das ruas da zona norte carioca está no DNA do artista. “Esse EP marca um novo momento, em que saio daquela área restrita do rap e começo um outro movimento. O MC ainda existe, é a parte principal, mas se antes eu só flertava com outros gêneros, agora isso aparece com mais propriedade”, avisa Ramonzin, que tirou o título do disco da faixa homônima, que trata de preconceito nas questões raciais. “Falo sobre coisas que os jovens negros da periferia vivem no cotidiano, como a falta de oportunidades, os olhares. Quem mora em periferia, tem um jeito próprio de se manifestar e o funk é uma delas. A música ‘Made in Madureira’ é um grito de revolta, de uma forma clara e crua, para que entendam que o preconceito é gritante e existe sim. Mas a gente tem uma reação contra isso, e ela vem através da música”, completa.

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Como o título indica, foi no bairro da zona norte carioca, com a maioria da população negra, que o artista cresceu. “Madureira sempre foi o meu quintal. E o meu som abrange todo o perímetro do bairro, onde o brega, o funk de favela, o próprio rap, o samba de raiz, se linkam um com o outro. Ele conversa de uma forma verdadeira com todas essas manifestações artísticas. É isso que representa, por marcar um novo momento na minha vida”, completa o artista, que – além do EP – lançou o clipe da música “Caô”, uma das faixas do trabalho.

Dirigido por Gustavo Tissot, velho parceiro de Ramonzin, o clipe mostra um dia na vida de um cidadão comum, que exerce o direito de reivindicar por melhores condições. “A gente quis fazer de uma forma natural, verdadeira, que as pessoas se identifiquem. O Gustavo sugeriu o cotidiano de um pai de família, com responsabilidades, filhos”, explica ele, que gravou na própria casa. “Mostro um pouco da minha vida, depois saio, circulo pelo bairro, mostro os vizinhos, até parar em frente ao prédio da Alerj, onde faço um protesto com um megafone. É o grito de um indivíduo reclamando que não aguenta mais tanta opressão, tentando levar sua vida honestamente. O clipe de ‘Caô’ passa essa mensagem”.

Além de “Caô” e da faixa-título, o álbum inclui “Valei-me” e “Luz”, lançadas previamente. “Essa nova fase com a Universal Music demonstra um respeito pelo que eu já fazia e um respaldo para continuar inovando. Essa é uma característica forte da minha música. Com uma gravadora por trás, você se sente mais seguro para inovar, fazer coisas diferentes. Deu um gás para que eu pudesse continuar produzindo novos ciclos”, afirma o artista, referendado por elogios de importantes críticos, como Mauro Ferreira.

Ramonzin estreou no elenco da major com a música e o clipe de “Valei-me”. O single é classificado pelo artista como um bolero em clima noir, com rimas afiadas: “(…) É o instinto selvagem / O desejo e o ensejo / Maquiagem borrada / Igual suas verdades / E quem vem na fé / O diabo à paisana / Não se sabe quem é”.

Composta pelo artista em parceria com Paulo Ney e Rafael Tudesco, a canção ganhou um clipe também dirigido por Gustavo Tissot, que levou o universo soturno da música para o vídeo. Em um ambiente de cabaré, figuras típicas da noite acompanham a performance de Ramonzin, que surge vestido com um terno cor de vinho e um cigarro encaixado na orelha, esperando a hora de ser tragado. “A música é a junção da contestação social que aprendi no rap com o amadurecimento musical que construí ao longo dos anos”, detalha.

Depois, veio “Luz”, com letra de sua autoria e produção de Rafael Tudesco e Du Brown. A faixa traz uma influência da música afro, com marcações fortes. “A música fala verdades, diante de uma sociedade doente, cheia de complexos e preconceitos extremistas. Achei que expor isso era oportuno e, acima de tudo, necessário. A verdadeira luz não é a que te ilumina, e sim a luz com a qual você ilumina o outro”.

Uma das estrelas do selo Duto, o coletivo criativo de Madureira cujo foco está na construção de novas matrizes sonoras e no desenvolvimento de talentos da música negra urbana, Ramonzin é um daqueles artistas cujo nome já dá uma sensação de amigo próximo. Um amigo cheio de talento, diga-se, que usa o hip hop como força de expressão, faz conexões com nomes importantes do movimento, como MV Bill, e flerta com a MPB tradicional – sua releitura de “Samba e Amor” foi autorizada pelo próprio autor, ninguém menos que Chico Buarque.

Para a sua geração, o ato de fazer música se tornou possível graças às facilidades da tecnologia. Mas isso não quer dizer que ele siga por um caminho simples. “Fazer música boa é difícil. Você pode ter uma grande quantidade de gente fazendo música, o que é ótimo, por conta da facilidade, mas isso não significa qualidade. Estou atento a isso, tenho esse cuidado. Meus próximos passos estão concentrados na constância do que posso fazer. A minha ideia é não parar, é manter um fluxo bacana. Preciso fazer a máquina rodar e sempre lançar coisa nova. Minha vida é fazer música”.

Mas foi através do skate que Ramonzin entrou para o mundo do rap, acompanhando as rodas de rima que rolavam na Lapa. Há sete anos, estreou com o single “Se Ela Soubesse”, que chegou a um milhão de acessos e ganhou as rádios. Em 2014, veio o primeiro álbum solo, intitulado “Circo dos Motivos”, em parceria com o produtor Du Brown. “Descobri o mundo da música através do rap. Mas o som que eu faço não tem nome ou estilo. Tem uma linguagem poética diferente, com um acento popular, direto, com a questão do discurso sempre presente. Ouvi muito samba, dub, rock, MPB. Minha identidade é plural, mas sem rótulos”. E o EP “Made in Madureira” está aí para não deixar dúvidas.

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