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Interior ecoa a música mineira em residências artísticas

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“Foi dito que a cidade é uma partitura, e eu digo que a gente lê essa partitura através das pessoas”. Disse Odette Ernest Dias, Festival de Inverno, Diamantina, 1983

Uma grande partitura musical mineira, representada por cinco cidades do interior, mais a capital, foi composta pelas peculiaridades sonoras de músicos aprendizes e profissionais, de modo gratuito e democrático. Este foi o resultado das residências artísticas, uma experiência cultural viva de formação musical, escrita ao longo de seis meses por jovens, adultos e crianças da cadeia criativa da música em Minas Gerais, no projeto “Territórios de Invenção – Residências Musicais”.

Desenvolvido por meio de parceria entre a Secretaria de Estado de Cultura (SEC) e a Fundação de Educação Artística (FEA), além da Secretaria de Estado de Educação (SEE), o programa de formação residencial envolveu universidades federais, como o Departamento de Música da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), os Conservatórios Estaduais de Música Lorenzo Fernãndes, Juscelino Kubitschek de Oliveira e Lobo Mesquita em Montes Claros, Pouso Alegre e Diamantina, respectivamente.

O processo criativo, iniciado em junho deste ano e que, até este mês, passou pelas cidades de Diamantina, Pouso Alegre, Montes Claros, Uberlândia, Ouro Preto e Belo Horizonte envolveu estudantes, professores e pesquisadores em residências musicais com duração média de duas semanas, cada uma.

Realizado também em equipamentos culturais e escolas de música no interior e capital do estado, por meio do Programa Música Minas, da Secretaria de Estado de Cultura, o “Territórios de Invenção – Residências Musicais” fez ecoar a sonoridade singular e original de Minas Gerais e deu novo impulso aos Conservatórios Estaduais de Música.

Multiplicidade e originalidade
O edital do Programa Música Minas, executado pela Secretaria de Estado de Cultura, buscou inspiração na obra “Seis Propostas para o Próximo Milênio”, de Ítalo Calvino, que ressalta alguns pontos necessários para os tempos, como “Leveza”, “Rapidez”, “Exatidão”, “Visibilidade” e, sobretudo, “Multiplicidade”.

O objetivo inicial, seria a emergência de uma poética alinhada à pluralidade, elaborado com base no livro do escritor cubano-italiano Calvino, sublinhando o processo, a experimentação e a trajetória como ítens primordiais na tessitura dessa partitura musical, que fez soar a música mineira e embalou os conhecimentos, anseios, sonhos e perspectivas nas cidades de Minas Gerais.

A ideia dos “Territórios de Invenção” corteja à singularidade necessária de cada um dos territórios inventivos, criados por profissionais consolidados na cena contemporânea da música mineira.

Artistas residentes da Fundação de Educação Artística, com vasta experiência musical e rítmica, com carreira nacional e internacional e formação acadêmica, se mudaram para o interior durante alguns períodos para levar a vivência das residências artísticas.

A escola implementou o modelo de residência artística há 50 anos (em 1965). Nos “Territórios de Invenção”, a dinâmica contemporânea e, ao mesmo tempo inovadora é marcada pelas características de integração entre gerações, expressões artísticas e gêneros musicais.

No âmbito da formação, a Fundação de Educação Artística imprimiu, através dos profissionais residentes, inquietações e amplas percepções sobre o contexto cultural mineiro, naturalmente rico musicalmente, como ressaltou o secretário de Cultura, Angelo Oswaldo.

Para ele, a expectativa para o êxito do projeto encontra razões na vocação do estado.

“Minas Gerais é extremamente musical. As cidades selecionadas para receber as residências dispõem de conservatórios, orquestras ou cursos superiores de música, ou seja, toda uma estrutura que vem ser incrementada com esse programa”. Disse Angelo Oswaldo, secretário de Estado de Cultura

Nomes de peso da cena da música mineira, como Odette Ernest Dias e Marcelo Chiaretti (Diamantina), Kristoff Silva (Pouso Alegre), Grupo Serelepe (Montes Claros), Rafael Macedo e Sérgio Rodrigo (Uberlândia), Grupo Oficcina Multimédia (Ouro Preto) e Roberto Victorio (Belo Horizonte), levaram conhecimentos em composição, ritmo, teoria, acervo, gravação, formação de orquestra, entre outros.

Os artistas assumiram o desafio de estrear a primeira edição do projeto de educação musical, incentivando e aprimorando a formação de músicos, musicistas e compositores, difundindo a música nas diversas regiões do Estado.

“As residências artísticas tiveram grande importância na formação musical das localidades onde foram realizadas. Uma experiência única, que abriu espaço para o diálogo entre os músicos profissionais e os músicos locais e, através deste encontro, proporcionou a geração de algo novo”. Disse Marcelo Chiaretti, músico, compositor e professor na Fundação de Educação Artística.

Chiaretti toma como exemplo Diamantina. Segundo ele, a atualização do repertório musical da cidade, trabalhada na residência naquela cidade, junto com uma pesquisadora de acervos Odette Ernest Dias possibilitou debruçar sobre este repertório histórico, conferir novas roupagens ao acervo e despertar para esse viés musical. “Um momento mágico e de encantamento, em que fizemos soar os ‘Sons da cidade’ e saímos, os artistas e os músicos, modificados pela experiência” , conta.

As características culturais das cidades-polo foram escolhidas para legitimar a proposta específica de cada mini-residência. A escolha da cidade e os temas maestros foram traçados visando a composição de um conjunto coerente, que pudesse, também, ir ao encontro das aspirações dos músicos e dos artistas locais.

A autenticidade musical dos lugares escolhidos, cuidadosamente observado ao longo do processo de residência artística, foi primordial como há de ser quando se propõem ações culturais, com origem na capital, para núcleos do interior do estado. Cada núcleo local é único e possui tradições e realizações insubstituíveis – que reverberaram no interior pelos “Territórios de Invenção”.

Cada residência foi “composta” como experimentação, sem receitas, sem formato pré-estabelecido, mas com um roteiro vivo desenvolvido entre os artistas e os músicos, ressaltando a singularidade dos trabalhos artísticos, de cada cidade, de cada público.

Desse modo, a ressonância de cada residência artística passou a ser tão importante quanto sua realização. Essa “ressonância”, que pode ser apreendida como memória cultural viva incrustada em Minas Gerais, proporcionada e revelada pelo Governo de Minas Gerais, pode ser apreciada com minúcias nas descrições sobre os processos das seis mini-residências, em cada local do interior, a seguir.

Os sons da cidade
Dez dias intensos de música e pesquisa em Diamantina. Assim aconteceu a residência de Odette e Marcelo no Conservatório Lobo de Mesquita, durante o mês de julho de 2016. O rico patrimônio musical da cidade foi o território da residência, a partir das pesquisas da Odette nos acervos, desde os anos 1980.

Como disse a flautista e pesquisadora, o que caracteriza uma residência é o “convívio”. Mais de 30 músicos participaram da experiência, a maioria deles professores e estudantes do conservatório.

Juntos, os participantes percorreram os acervos da cidade e descobriram ou redescobriram partituras do Século XIX; fizeram uma roda de polcas, choros e maxixes no mercado; discutiram sobre a preservação dos acervos e sobre formas de se promover o patrimônio musical; ao final, fizeram um belo concerto na Igreja do Amparo.

Re-verbo: ressonâncias do encontro entre música e palavra

Durante duas semanas, todos os dias, das 18h às 22h, 12 participantes reuniram-se no Conservatório Estadual de Pouso Alegre com o compositor Kristoff Silva. A residência artística recebeu o nome de “Re-verbo: ressonâncias do encontro entre palavra e som”.

A ideia inicial era investigar o que une uma letra a uma melodia, como as duas formam um sentido coeso, pesquisa que se desenvolve a partir dos apontamentos de Luiz Tatit sobre o assunto.

Junto a esse trabalho de caráter mais analítico, outro se desenvolvia, no rumo da criação. Aí já não contava apenas a forma canção, mas a exploração sonora em si, tendo a palavra como matéria-prima.

Até os sons dos nomes próprios dos participantes serviram de base para improvisações e criações. A voz, lugar onde fala e canto se encontram, tornou-se o principal território de exploração.

“Foi uma experiência que ainda hoje reverbera. Primeiramente, é importante frisar que existe uma diferença grande entre esta experiência intensa de contato com artistas naquilo que eles têm de mais especial. ‘Educar’ é conduzir de dentro para a fora, em um movimento em direção ao outro, por isso, é fundamental o investimento do Estado nestas iniciativas. A experiência desta vivência tende a reverberar e, inclusive, alterar o curso de vida dos que estiveram envolvidos e dos que vierem a se envolver futuramente com os aspectos musicais trabalhados na cidade de Pouso Alegre. Disse Kristoff Silva, músico, compositor e professor na Fundação de Educação Artística.

A oportunidade surgiu, segundo o músico e compositor Lucas Tibúrcio, no momento em que o artista está mudando o rumo da sua trajetória musical, o que o fez revisitar nuances de suas composições e absorver conhecimentos teóricos que vão contribuir nos seus processos criativos.

“Estar imerso, durante quase duas semanas, envolvido exclusivamente com a música, as teorias e os aspectos composicionais passados pelo professor serão largamente aproveitados em meu trabalho”. Disse Lucas Tibúrcio, músico e compositor.

A cidade de Pouso Alegre, continua Tibúrcio, “ganha com esta cultura viva produzida durante o processo de residência, pois alastra conhecimentos sobre as influências e a música mineira e também sobre o trabalho de formação musical realizado pelos Conservatórios Estaduais, gerando novos potenciais no cenário”.

Ao final, a residência artística resultou em uma performance ao vivo no Conservatório Estadual Música Juscelino Kubitschek de Oliveira ao som das composições gravadas pelos músicos durante a residência ‘Re-verbo’.

Todos os participantes, orientados por Kristoff Silva, criaram uma instalação musical que ocupou os três andares do conservatório com projeções, sons pré-gravados, combinados com performances ao vivo, mostrando ao público uma parte do processo dessa residência artístico-musical.

Canções e brincadeiras musicais
Em agosto de 2016, Gabriel, Reginaldo e Tadeu, do grupo Serelepe, estiveram em residência durante dez dias no conservatório Lorenzo Fernandes, em Montes Claros.

Participaram com eles dessa experiência em torno de 20 pessoas, a maioria, professores do conservatório.

A residência contou com a participação alternada (e animada) de grupos de crianças. O território dessa residência girou em torno de brincadeiras musicais, da construção de instrumentos e da reflexão sobre o brincar.

Como na brincadeira de roda, um espaço comum foi criado, em que o conhecimento foi compartilhado e a relação professor-aluno, problematizada.

“Minas Gerais tem várias ‘minas musicais’ e a troca será sempre uma soma, sobretudo para a música mineira e sua continuidade. O trabalho foi fundamental para reascender a chama e o gosto pela música tocada na cidade e pelo trabalho realizado no conservatório. Os músicos e professores que participaram da residência se enriqueceram com uma nova forma de aprendizado que levarão para outros conhecedores e amantes da música, além de terem reavivado a importância dos Conservatórios Estaduais de Música para o Estado”. Disse Sandra Soares, vice-diretora do Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandes.

Para além de se aprender uma canção, para além de se ensinar uma brincadeira, foram experimentadas novas formas de se relacionar com o outro e com o mundo através da música, com novas lentes para novas perspectivas. Como aponta a letra da música: “abre a roda, desanda a roda… com ela me abraçarei.”

Ouvidos em movimento: criação e performance musicais coletivas
Ideias e caminhos para uma composição musical foram traçados pelos artistas Rafael Macedo e Sérgio Rodrigo, que estiveram em residência em Uberlândia, na primeira quinzena de agosto de 2016.

Todos os dias, eles se reuniram, na Oficina Cultural, com mais 15 músicos e estudantes, para juntos apresentarem diversas abordagens sobre processos e técnicas composicionais intercalando com atividades práticas, voltadas à realização musical das ideias discutidas.

Intensos momentos de apreciação musical e de treinamento rítmico e diversas outras modalidades de jogos musicais foram mesclados com exercícios de criação coletiva, com o intuito de se estabelecer uma prática dinâmica e criativa.

Aos poucos, uma peça musical foi se formando, e cada músico pôde experimentar os desafios referentes às relações entre projeto composicional e realização musical.

Todos participaram do processo de estruturação da peça e fizeram parte da performance, “compondo” através de uma interação e uma prática musical coletivas, com o resultado sonoro dos engajamentos e contribuições de cada um.

Rítmica no espaço cênico
A residência em Ouro Preto teve como aspecto central uma vivência corporal, pautada em estímulos rítmicos relacionados às múltiplas possibilidades de organização do corpo no espaço-tempo.

O objetivo foi utilizar o pulso como referência inicial para organizações rítmicas expandindo para combinações mais complexas, como jogos de pergunta e resposta, procedimentos em cânones e repetições.

Como suporte para essa pesquisa, os alunos fizeram exercícios práticos compreendendo o uso de sons vocais, textos, batimentos corporais, gestos, movimentos, além da utilização de objetos.

As atividades compreenderam criação e improvisação individual e em grupo, a partir de estímulos diversos.

Tema: O tripé composição, pesquisa e regência
A residência em Belo Horizonte, estruturada em torno dos três pilares que envolvem o trabalho do compositor Roberto Victorio – a composição, a etnomusicologia e a regência -, foi direcionada por suas pesquisas, a partir de workshops de composição e de etnomusicologia, e pela montagem das obras escritas durante o processo, além da regência das obras, e também de outras, como instância final da residência.

Desde 1999, Roberto Victorio pesquisa a etnia Bororo, do Mato Grosso, tendo vivido com eles por três anos para estudar a sua música ritual e para desenvolver a mecânica de transposição de sua realidade ritual para o universo da música de concerto.

Registros e perspectivas
O “Territórios de Invenção” foi encerrado com uma mesa redonda, que reuniu todos os seus atores e convidados, para discutir os resultados.“Esse foi o momento mais importante da Fundação em 2016”, observou a diretora da FEA, Berenice Menegale, ao falar dos frutos colhidos com o projeto e do desafio que foi executar a iniciativa em um ano de não boas notícias para o setor cultural.

O secretário Angelo Oswaldo destacou o quanto o “Territórios de Invenção” atraiu a atenção para os conservatórios estaduais, já que parte das residências foi realizada nessas instituições. “Valorizou os conservatórios, mostrou o potencial deles e que há muito a ser resgatado. Espero que esse projeto possa se repetir no próximo ano”.

Na atividade de encerramento, foi exibido um documentário produzido pelo cineasta Pedro Aspahan sobre as residências musicais. Também houve a apresentação da peça “Soham”, composição de Roberto Victorio, executada por Fernando Rocha e Elise Pittenger.

As residências musicais tiveram dois momentos de planejamento e execução, o período de inscrição, com divulgação nas cidades que receberiam as atividades; e a realização das residências. O projeto originou um site com registros vivos e emocionante dos “Territórios de Invenção”.

Acesse clicando no site www.residenciasmusicais.com.br. Com Agência Minas

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