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Em defesa do cu

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Por Flávio Marcus da Silva

Ele adiou a ida ao médico o máximo que pôde, apelando para pomadas e cremes receitados por um amigo farmacêutico, mas chegou uma hora que não teve jeito. Marcou a consulta e foi.

O médico, muito simpático, pediu-lhe que tirasse a roupa e se deitasse na cama. O exame foi minucioso. Diagnóstico: hemorroidas inflamadas (quase pulando para fora de tão inchadas), fissuras e ulcerações (causadas, certamente, por evacuação difícil ou volumosa), um abscesso retal cheio de pus e indícios de inflamação do revestimento interno do reto.  “Nada grave”, disse o doutor, “só incômodo”.

Durante o tratamento, que foi longo, médico e paciente acabaram se tornando amigos. Ambos eram divorciados, solitários, e encontraram um no outro o conselheiro, o confidente, o ouvido amigo para horas boas e ruins.

Nas longas conversas que mantinham nos finais de semana, um dos assuntos preferidos do médico era o cu. (Com amigos, ele não usava a palavra ânus: era cu mesmo).

“Não concordo com o desprestígio dessa região nobre do nosso corpo que é o cu”, disse ele uma noite, já na terceira taça de vinho. “Quase toda frase ou expressão que leva a palavra cu tem conotação negativa: o ‘cu do mundo’ é o pior lugar do mundo; ‘tomar no cu’ é um insulto; se te chamam de algo que você não gosta, você responde: ‘seu cu’; se a pessoa é chata, ela é ‘carninha de cu’; se tem cara feia e enjoada, é ‘cara de cu’… Ah, pelo amor de Deus! E o descuido das pessoas com seus cus? Eu que sou especialista em cu é que sei. Não limpam, não lavam, não secam direito; usam papel higiênico de péssima qualidade, verdadeiras lixas; não sabem nem dobrar o papel: passam o negócio de qualquer jeito, uma vez só, e rápido. Imagine o cu dessas pessoas!: aquela borra seca, horas e horas ali, enroscada nos pelos, agarrada nas pregas… Ah, que nojo! Que desrespeito com o cu! Adoram sentar no vaso pra cagar, mas só se lembram do cu quando ele trava, quando dói. E custam a procurar o médico, de vergonha. Para que ter vergonha do cu? Todo mundo tem cu. Ficam sem jeito até de comprar papel higiênico no supermercado. Será que têm medo da moça do caixa pensar: ‘Hummmm, está comprando um papelzinho para limpar o cuzinho, hein’? O que é que tem? Ela também não limpa? E o pior é que só procuram ajuda quando a coisa fica feia mesmo: hemorroidas sangrando horrores, abscessos do tamanho de bolas de sinuca, ulcerações, fístulas minando pus dia e noite, tumores… Você nem imagina o que eu vejo ali, meu amigo. Falta só dar bicho. É assustador. O povo tinha que dar mais atenção ao seu cu, tratá-lo com mais carinho e respeito; sabe por quê? Porque é ali que a vida realmente faz sentido. Pense no nosso corpo. Não é um tubo? Um tubo que começa na boca e termina no cu, e que, para existir, tem que ingerir e excretar – em outras palavras: comer e cagar – até morrer. Pois é. Vencido o prazo de validade do tubo, ele morre. Qualquer tubo. Não importa a procedência. E a morte, o que é? A morte, meu caro, é quando nos auto-excretamos para a natureza… É até poético isso… Imagine o momento exato da morte… Deve ser como sentar no vaso com aquela dorzinha de barriga agradável e liberar tudo, soltar-se… e o espírito se desprender da matéria-excremento, leve, livre para Deus… para os anjos… para a eternidade…”.

Crônica publicada pela primeira vez nesta coluna em maio de 2013, com o título “Sua Alteza, o Cu”, agora revista pelo autor.

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